terça-feira, 24 de abril de 2012

Mensagem do dia

"O egoísmo não consiste em vivermos os nossos desejos, mas sim em exigirmos que
os outros vivam da forma como nós gostaríamos.
O altruísmo consiste em deixarmos todo o mundo viver do jeito que bem quiser."

Oscar Wilde


O LAÇO E O ABRAÇO


Meu Deus! Como é engraçado!

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o
laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de
braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido,
em qualquer coisa onde o faço.

E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...
devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.

Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.

E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.

Ah! Então, é assim o amor, a amizade.

Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço
afetivo, laço de amizade.

E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum
pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...

Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.

Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

Mário Quintana

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Mensagem do dia


"Metas são o meu mapa para a vida que quero.
 Elas têm me ajudado a realizar coisas que pensava serem impossíveis"
(Catherine Pulsifer)

Segunda chance - Você acredita que isso dá certo?

Não importa que idade você tenha ou que momento da vida esteja passando – uma hora dessas você vai se defrontar com a questão da segunda chance. Talvez seja um amigo perguntando se vale a pena tentar de novo com aquela garota que tanto mal fez a ele. Ou você mesmo terá de decidir se um velho amor que reapareceu merece ou não ser revivido. De uma forma ou de outra, essa pergunta sempre se coloca.
Da minha parte, tenho a responder que não acredito mais em segunda chance. Já fui um crente fervoroso na volta do amor perdido – durante um tempo, essa crença foi o São Sebastião da minha vida – mas hoje vejo essa esperança como quimera e fantasia. Uma ilusão paralisante. Na melhor das hipóteses, acho a ressurreição da paixão é uma possibilidade remota.
O grande amor, o amor médio, o amorzinho: nenhum deles tende a dar certo na segunda temporada. Por mais que haja más intenções e bons sentimentos (a combinação mais gostosa do mundo), ou ainda que os parceiros nadem em aspirações sublimes, coisas repetidas têm vocação para dar errado. São como um vaso que uma vez quebrado nunca mais será o mesmo.
Comigo, o insucesso aconteceu com mulheres que, até hoje, me comovem só de vê-las passar na rua, só de olhar o avatar no Twitter. Não foi por falta de afeto, portanto, que as retomadas não deram certo. Em alguns casos, é verdade, houve insuficiência de desejo, de parte a parte. Quando se trata de sexo, a volta pode ser até melhor (as pessoas, afinal, aprendem), mas raramente deixa uma impressão emocional tão duradoura. Novidade, a gente queira ou não, faz diferença. E experiência não substitui envolvimento.
Tenho a sensação de que os amores requentados são como remendos. Elas não resistem ao tempo nem ao atrito. O que na primeira vez era novo agora tem um gosto de repetido. E há detritos que vão se acumulando a cada separação. Rancores, mágoas, coisas não ditas. Com o tempo, esse entulho cerca a cama, se espalha pelos corredores, invade a sala e a cozinha. A gente tropeça nele. Mesmo sem querer, passamos a procurar, nos olhos e nos gestos do outro, os primeiros sinais de esgotamento, que uma hora ou outra aparecem. Intuímos que é difícil evitar que um rio avance pelo caminho que já foi aberto.
Entre os amigos, consigo me lembrar de um único caso – vá lá, dois – em que a volta não foi apenas um desastre passageiro. O roteiro de quase todos os reatamentos que eu presenciei, ou dos quais ouvi falar, é parecido: pessoa carente ou perdida volta ao porto seguro de onde fora solenemente despachada ou estivera louca para zarpar. E de onde, passado algum tempo, vai querer velejar de novo, ou será expulsa novamente.
Essas tentativas tristes, que às vezes se repetem até o esgotamento, são na verdade os casos benignos. Há exemplos de pessoas que retornam sistematicamente para tipos mentirosos, agressivos ou quimicamente dependentes, com resultados dramáticos.
Vistas de fora, as apostas no videotape existencial parecem tíbias e frágeis, mas não é assim que as pessoas envolvidas percebem. Elas acham que estão voltando ao curso natural do seu destino. Pensam estar retomando o fio rompido da própria existência. Fazem força para acreditar que aquela escolha, desta vez, as fará felizes. Sentem-se românticas, se dizem românticas, mas, na verdade, estão sendo práticas. Depois de meia dúzia de fiascos afetivos, voltam para a zona de conforto (ou de conflito) semifelizes, com um rabo invisível espremido entre as pernas. Em geral descobrem, rapidamente, que voltar é fácil. Permanecer são outros quinhentos.
Por que voltamos, afinal?
 
IVAN MARTINS

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Mensagem do dia

A felicidade não depende do que nos falta,
mas do bom uso que fazemos do que temos.

Feliz por nada



Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
Geralmente, quando uma pessoa exclama “Estou tão feliz!”, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.
Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo?
Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. “Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?
A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso.

Martha Medeiros










quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mensagem do dia

"O pessimista vê a dificuldade em cada oportunidade.
O otimista, a oportunidade em cada dificuldade."