quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Como ser uma avó ou avô incrível

Ser um avô ou uma avó sensacional é o sonho de todo mundo, mas para ganhar esse tipo de título é preciso tempo e, especialmente, esforço. Veja, então, as dicas que o BabyCenter preparou para você chegar lá e se tornar uma pessoa fundamental na vida do seu neto.

Pergunte em vez de responder

Porque você é a avó, já conta com muito mais experiência no quesito criação de filhos. E isso pode levá-la a se ver como a única especialista no assunto e responsável por orientar os novos pais.

É um impulso muito natural, e pode fazer todo o sentido na hora. Mas, acredite, esse tipo de mentalidade é receita para um desastre.

"Por mais duro que seja, você precisa aceitar que é a vez deles de criarem os filhos. Os avós não podem interferir em tudo", afirma a terapeuta Sharon O'Neill.

Segundo ela, ao dar palpites e sugestões, por mais bem intencionados que sejam, os avós acabam arriscando deixar os pais de primeira viagem ainda mais ansiosos ou com aquela sensação de que não sabem o que estão fazendo. Em vez disso, o melhor que você tem a fazer é expressar interesse e curiosidade pelo neto.

Pergunte sobre o bebê, novas gracinhas, momentos surpreendentes. Cuidado com os sempre polêmicos temas da alimentação, sono ou vestuário. Evite parecer a avó intrometida e mostre, por outro lado, o quanto adora o neto e deseja ajudar os pais no que for preciso para vê-lo saudável e feliz.

Brinque e se divirta

Você já deve ouvido falar que a vovó fica com toda a diversão, mas depois entrega o bebê de volta para os pais ficarem com a parte das responsabilidades.

Claro que nem sempre é assim, porque tem muitos avós que pegam pesado nos cuidados do dia a dia. Mas, de modo geral, sua função é mesmo aproveitar.

Brinque no chão, passeie com o bebê, conte histórias engraçadas da família e permita-se voltar a fazer caretas e vozes infantis. Estabeleça momentos especiais só seus e da criança. Solte a imaginação.

Fuja das rivalidades

Evite a todo custo competir com a "vó Sônia e o vô Alberto", já que isso sempre acaba provocando mágoas. É praticamente inevitável que as crianças acabem convivendo mais com um lado da família do que o outro, o que não quer dizer que amem mais esse ou aquele.

Pense só nos seus netos e considere que não existe excesso de amor. Ou seja, um relacionamento próximo com um casal de avós não vai eliminar a importância do outro -- a menos que você se afaste ou dê motivo.

Espere bagunça

Falando sinceramente, crianças são bagunceiras, não tem jeito. A melhor forma de lidar com o que vem pela frente é se preparar psicologicamente para a bagunça, assim você não corre o risco de perder a paciência a cada grão de comida que cair no chão branquinho da cozinha.

Uma alternativa é escolher partes da sua casa para a bagunça da criançada e partes somente para o uso dos adultos. Já que você não vai querer ficar seguindo o neto o dia todo com uma vassoura para limpar sujeira, coloque-o para comer em uma área onde as migalhas caídas poderão ser facilmente catadas.

Se for o caso, proteja também sua mesa com uma toalha plástica, e as cadeiras ou outras áreas de piso ou tecido mais delicados com toalhas ou panos.

Confira um artigo de como manter o local em que mora segura para crianças.

Valorize as experiências

É tentador comprar um brinquedo ou uma novidade eletrônica só para ver a alegria no rosto do seu neto. Não há nada de errado com isso. A longo prazo, no entanto, as experiências conjuntas tendem a ser mais significativas e a criar lembranças para a vida toda, mais do que momentos passageiros de alegria.

Em nome desse tipo de recordação, muitos avós apostam em viagens de final de semana ou em férias com toda a família. Longe dos compromissos do dia a dia fica mais fácil de aproveitar a companhia e se dedicar integralmente aos netos. Passar um dia que seja fora já faz toda a diferença.

Não se esqueça de documentar os passeios e viagens em fotos e em pequenas anotações explicando os momentos únicos que viveram. Dizer, por exemplo, que foi naquele passeio à praia que o bebê colocou os pés pela primeira vez no mar é o tipo de informação para guardar para sempre.

Não seja um problema

Às vezes, excesso de entusiasmo por parte dos avós acaba criando mais trabalho para os pais.

A especialista Amy Goyer relata que ouve muitas queixas de avós que não recebem tantos convites quanto gostariam para visitar os filhos e netos, mas, por outro lado, parecem não ter ideia de que só sua presença já gera certo nível de trabalho e de preocupação.

Já que o objetivo definitivamente não é ser estorvo para os outros, procure formas de estar com as crianças que sejam de ajuda. Isso inclui se voluntariar para ficar com elas para que os pais possam dar uma saída à noite ou no fim de semana.

Outra possibilidade é pensar em um bloco de tempo durante a semana (duas tardes por semana, por exemplo) em que você as leve para a sua casa (veja aqui como equipar a casa para receber os netos.)

A vantagem de estabelecer dias específicos para ficar com o neto é que os pais podem se programar para sair ou resolver problemas nesse dia, e não ficam tímidos de pedir ajuda. Você, por outro lado, tem a garantia de um delicioso encontro semanal com o netinho.

Não demonstre favoritismo

Derreter-se sobre o bebê enquanto ignora ou dá uma bronca no danadinho do irmão de 3 anos que está tendo um ataque de ciúmes ou de birra é um erro clássico, e você vai precisar se policiar muito para não cometer.

Toda criança passa por bons e maus períodos e é fundamental que saiba que é amada mesmo quando não está se comportando muito bem.

E é claro que existem afinidades pessoais que podem ser maiores ou menores com determinado neto, mas você precisa guardá-la para você.

O melhor jeito de combater o que às vezes pode parecer favoritismo de avó é sempre dedicar atenção especial e individual a cada uma das crianças. Elas costumam se comportar melhor quando não estão sentindo competição de irmão ou primo por perto. Além disso, você assim terá uma chance de criar uma relação com cada uma delas.

Tome a iniciativa do contato

Você é a pessoa mais velha e mais madura da relação com o neto ou a neta, portanto deve assumir a responsabilidade por procurar e manter contato. Se ficar esperando por iniciativa da parte de uma criança, vai acabar se decepcionando quase sempre.

"É normal que não passe pela cabeça de uma criança ligar para alguém. Você é quem deve fazer o trabalho braçal para o relacionamento se desenvolver", observa a psicóloga Sharon O'Neill.

Além das ocasiões especiais e formais de família, procure seus netos com frequência e mostre o quanto deseja ser parte da vida deles, começando desde a fase de bebê. Aproveite para tirar muitas fotos para depois mostrar a ele quantas coisas fizeram juntos ao longo do tempo.

Se ouvir dos pais que o neto alcançou um novo marco do desenvolvimento, como sentar, engatinhar ou andar, peça para vê-lo o quanto antes para conferir a novidade (esse tipo de demonstração de interesse pelo filho sempre encanta os pais, loucos para mostrar toda e qualquer nova graça do bebê).

Vire o ombro amigo

Avós são um ponto de apoio importante para os netos, por oferecer uma perspectiva diferente da dos pais.

Quando chegar a fase, ouça com carinho tudo o que eles têm para contar e incentive que conversem com você sobre qualquer assunto. Procure não se escandalizar ou julgar comportamentos diferentes dos da sua época.

Não espere por datas específicas para saber como foi o dia, o que tem acontecido de bom ou de ruim. Até a ida à casa de um amiguinho já vale como desculpa para bater um papo, mesmo que seja à distância, por meios eletrônicos.

Se você morar longe, esse tipo de contato fica ainda mais importante para manter os vínculos e até a lembrança viva da sua presença. A conversa não precisa ser longa -- pelo contrário, já que crianças costumam ter pouca paciência para responder a muitas perguntas.

Procure guardar o nome de amigos, brinquedos, bonecas ou jogos favoritos e vá perguntando como anda cada coisinha que gera interesse no neto.

Preserve as memórias de família

O medo de parecer aquela avó chata que está sempre falando sobre o passado muitas vezes pode acabar inibindo você de compartilhar histórias incríveis, engraçadas ou mesmo tristes. E isso acaba sendo uma grande perda para todos.

Tenha orgulho do seu papel de historiadora da família. Pense nele como a forma de ligar passado, presente e futuro e de dar continuidade a acontecimentos de gerações de ancestrais.

Na hora de contar os eventos do passado, seja breve e, quando possível, tempere as histórias com bom-humor e uma dose de aventura. As crianças certamente vão ficar curiosas.

Fale sobre a sua vida de jovem, assim como a dos pais das crianças. À medida que crescerem, vão adorar ouvir como o papai ou a mamãe aprontavam, davam trabalho ou faziam coisas curiosas.

E, se você gostar de escrever, considere deixar por escrito histórias da família. Outra alternativa boa é gravar vídeos contando os relatos.

Agora que seus netos são pequenos eles podem não muita paciência nem interesse para essas informações do passado, mas quando crescerem vão considerá-la um tesouro de valor incalculável -- e talvez sua memória e sua disposição já não sejam as mesmas quando esse momento chegar, daqui a algumas décadas.

(Melanie Haiken)


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Olhos que sorriem

Quando era pequena e meu irmão nasceu, não demorou muito para eu perceber que tinha algo diferente nele. Sempre que ele sorria, mesmo não sabendo que sorria através das poucas habilidades cognitivas de um recém-nascido, ele franzia os olhinhos. Lembro que um dia, intrigada e curiosa como toda criança com uma novidade, perguntei para minha mãe se meu irmãozinho era japonês. A minha mãe gargalhou com a minha teoria, e me explicou que era o jeito dele sorrir. Que ele sorria com os olhos. “Como assim ‘sorri com os olhos’, mamãe, se a gente sorri com a boca?” instiguei-a. “Algumas pessoas sorriem com os olhos” ela explicou.
De fato meu irmão cresceu e nunca perdeu aquele jeito peculiar de sorrir. Cada vez que gargalhava ou ficava feliz, suas bolotas negras, antes grandes, se reduziam em forma de gotinhas. Era como se sorrir com a boca não bastasse. Não podia envolver apenas as linhas inferiores do rosto, queixo, lábios e dentes. Precisava contorcer também as janelas da alma. E ao modificar seus olhos, ele modificava os meus. Não tem como não se manter indiferente frente a alguém que sorri com os olhos.
Crescendo, percebi que o que mais me atraia nas pessoas era a maneira como elas sorriam. Passei a dividir o mundo entre pessoas que sorriem ou não com os olhos. Desconfiava de quem se resumia a mostrar-me os dentes. Tratando-se de afeição, carinho ou paixão, todo tipo de grandeza para mim definia-se nos desenhos emoldurados por cílios e sobrancelhas. Eu procurava as gotinhas sorridentes nos rostos conhecidos ou recém-chegados. Contava as linhas de expressão ao redor dos olhos, provas do tempo de que aquele alguém contabilizou sorrisos oculares. Admirava aquela musculatura exercitada pela alegria da vida. Tornei-me meio Machado de Assis, “gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram”. Mas veja, tudo começa nos olhos.
A coisa evoluiu de tal forma que hoje nada me desconcentra mais que um lindo par de olhos a sorrir. Falando de sedução, não existe miragem mais atraente que acordar do lado de alguém que te entrega o “bom dia” com os olhos. Podem ser remelentos. É como se a manhã se ressignificasse e sair da cama passasse a não fazer mais sentido. A capacidade de sorrir com os olhos, além do apelo visual, é também muito prática- ora, se não precisas da boca pra sorrir, porque não usá-la para beijar enquanto os olhos se comunicam? Eu caí poucas vezes em uma paixão à primeira vista. Todas foram tropeçando pra dentro destes redemoinhos que são os olhos sorridentes. Sugando-me para profundezas desconhecidas, enquanto entregava-me deliberadamente na vontade de me afogar. Olhos que sorriem são meu fraco, falam diretamente com minhas entranhas, enfraquecem minhas pernas e causam maremotos na parte mais sensata do meu cérebro. Para resistir um crush que sorri com os olhos, somente fechando os meus – não tem outro jeito.
Pessoas que gozam desta sensibilidade são mais bonitas, me arrisco a dizer. É como se a melhor parte delas não pudesse ser contida e transbordassem pelas pupilas. Tyra Banks chamou esse fenômeno de “smize” em American Next Top Model, dizendo que apenas as melhores modelos dominavam este know-how. Não acredito que algo tão lindo quanto especial possa ser resumido a uma palavra, ou deva ser usado simplesmente para conseguir o melhor click de um fotógrafo. Sorrir com os olhos vem de dentro. Tem propósitos mais dignos, como risadas com as amigas, uma conexão entre duas paixões, a realização de um sonho, o reconhecimento do amor fraternal no irmão recém-chegado. A gente não abre a alma para qualquer um ou qualquer coisa. Essas janelas especiais tem manha. E olhar pra dentro delas, não é apenas um prazer, é um privilégio. Então da próxima vez que você estiver frente a alguém que sorri com os olhos, pare. Observe. Algo espetacular está prestes a acontecer.

Antônia Macchi

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

BONECA DE CROCHÊ

Um homem e uma mulher estavam casados por mais de 60 anos. Eles tinham compartilhado tudo um com o outro. Eles tinham conversado sobre tudo. Eles não tinham segredo entre eles afora uma caixa de sapato que a mulher guardava em cima de um armário e tinha avisado ao marido que nunca abrisse aquela caixa e nem perguntasse o que havia nela. Assim por todos aqueles anos ele nunca nem pensou sobre o que estaria naquela caixa de sapato. Mas um dia a velhinha ficou muito doente e o médico falou que ela não sobreviveria. Visto isso o velhinho tirou  a caixa de cima do armário e a levou pra perto da cama da mulher. Ela concordou que era a hora dele saber o que havia naquela caixa. Quando ele abriu a tal caixa, viu 2 bonecas de crochê e um pacote de dinheiro que totalizava 95 mil dólares.
Ele perguntou a ela o que aquilo significava, ela explicou;
 -  Q uando nós nos casamos minha avó me disse que o segredo de um casamento feliz é nunca argumentar/brigar por nada. E se alguma vez eu ficasse com raiva de você que eu ficasse quieta e fizesse uma boneca de crochê.
O velhinho ficou tão emocionado que teve que conter as lágrimas enquanto pensava 'Somente 2 bonecas preciosas estavam na caixa. Ela ficou com raiva de mim somente 2 vezes por todos esses anos de vida e amor.'
-  Querida!!! - ele falou - Você me explicou sobre as bonecas, mas e esse dinheiro todo de onde veio?

- Ah!!! - ela disse - Esse é o dinheiro que eu fiz com a venda das bonecas. 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A paz perfeita

Havia um rei que ofereceu um grande prêmio ao artista que fosse capaz de captar numa pintura a paz perfeita. Foram muitos os artistas que tentaram.   

O rei observou e admirou todas as pinturas, mas houve apenas duas de que ele realmente gostou e teve que escolher entre ambas.

A primeira era um lago muito tranqüilo. Este lago era um espelho perfeito onde se refletiam umas plácidas montanhas que o rodeavam. Sobre elas encontrava-se um céu muito azul com tênues nuvens brancas. Todos os que olharam para esta pintura pensaram que ela refletia a paz perfeita.

A segunda pintura também tinha montanhas. Mas estas eram escabrosas e estavam despidas de vegetação. Sobre elas havia um céu tempestuoso do qual se precipitava um forte aguaceiro com faíscas e trovões. Montanha abaixo parecia retumbar uma espumosa torrente de água. Tudo isto se revelava nada pacífico. Mas, quando o rei observou mais atentamente, reparou que atrás da cascata havia um arbusto crescendo de uma fenda na rocha. Neste arbusto encontrava-se um ninho. Ali, no meio do ruído da violenta camada de água, estava um passarinho placidamente sentado no seu ninho.

Paz perfeita. Qual você pensa que foi a pintura ganhadora?

O rei escolheu a segunda. Sabe por quê?

Porque, explicou o rei, paz não significa estar num lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho árduo ou sem dor. Paz significa que, apesar de se estar no meio de tudo isso, permanecemos calmos no nosso coração. Este é o verdadeiro significado da paz.

"O primeiro dos bens, depois da saúde, é a paz interior."

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

IGNORAR AS FOFOCAS É UMA DAS MELHORES MANEIRAS DE SER FELIZ

É normal e esperado que pais, familiares e amigos íntimos preocupem-se conosco e perguntem sobre nossas vidas. Nesses casos, trata-se de afeto e consideração, pois quem nos ama nos dá atenção com intenções sinceras. Porém, há quem pareça saber tudo sobre nossas vidas, até mais do que nós mesmos sabemos, e pior, indivíduos que mal conhecemos, pois não fazem parte de nosso caminhar.
Existem pessoas que têm mania de falar da vida alheia para quem quiser ouvir e onde estiver. De longe, controlam a hora em que chegamos e saímos, o que almoçamos e com quem, se repetimos ou não a roupa, se trabalhamos direito, com quem estamos nos relacionando, enfim, são os biógrafos de plantão. Temos a sensação de que estamos sendo observados por câmeras escondidas, tamanha é a convicção com que essas pessoas fazem afirmações sobre nossas vidas.
Se os biógrafos de vidas alheias se limitassem a nos pesquisar para si só, seria menos irritante. Mas não, eles fazem questão de falar sobre nós para os outros, na maioria das vezes denegrindo nossa imagem, destacando em nós aquilo que eles julgam inadequado. Têm a necessidade de apagar qualquer brilho que possa vir a ofuscar a sua suposta superioridade, no trabalho e na vida lá fora, fazendo de tudo, de forma perigosamente velada, para que chefes e colegas vejam em nós alguém não confiável.
Tentar controlar a vida do outro é tão inútil quanto varrer as folhas enquanto venta. As pessoas são o que são e não mudarão para simplesmente atender aos caprichos de outrem. Mudamos nossos comportamentos quando nos conscientizamos verdadeiramente de que estejam nos prejudicando e somente se quisermos. Controlar o parceiro excessivamente não vai impedi-lo de trair. Controlar o trabalho do colega não o fará deixar de entrar atrasado ou de enrolar o dia todo. Ninguém tem poder sobre a vida alheia, felizmente ou infelizmente que seja. Ser pressionado e acuado muitas vezes nos incita à revolta e à tentação de agirmos exatamente de forma contrária às expectativas do outro. Nossa natureza é rebelde e reage negativamente ao controle externo – a vida, libertadora em sua essência, odeia amarras de quaisquer tipos.
Pessoas que se comprazem em querer saber tudo da vida do outro parecem ser indivíduos vazios e infelizes, pois não conseguem achar nada de bom em si mesmos, ou seja, não enxergam nada que valha a pena dentro de si e necessitam se preencher com algo de fora. Tentar diminuir o outro com maledicências, além de ser uma atitude covarde, denota fraqueza emocional e de caráter. O vazio interior e o desprezo de si mesmo devem ser tão insuportáveis, que passam então a ser combatidos com a exposição venenosa da vida alheia. Quem é infeliz consigo mesmo não suporta ver ninguém esboçando sorrisos e tenta atrair tudo à sua volta para sua escuridão miserável – inutilmente, na maioria das vezes, pois quem brilha por si só não se abala com miudezas como essas.
A preocupação dos pais com as andanças dos filhos, dos amigos com nossa saúde física e emocional, do chefe com nossas tarefas, do professor com nosso aprendizado são bem vindas e necessárias, pois servem como motivação e ordenação de aspectos importantes de nossas vidas. No entanto, sermos observados e comentados negativamente por pessoas que não nos dizem respeito, que não se importam minimamente com o nosso bem, é perturbador e desagradável. Podemos até tentar deixar claro, aos enxeridos de plantão, que estamos incomodados e que procurem algo mais proveitoso para si próprios com o que se ocupar, mas dificilmente nos ouvirão, pois seu caráter é surdo.
Ignoremos simplesmente, pois não suportam desprezo de ninguém, além de serem indignos de que percamos um segundo de nossas vidas com eles. Lembremos que a verdade sempre aparece, a despeito de toda fofoca e toda maldade que nos cerca, pois o bem, assim como na ficção, haverá de ser mais poderoso do que o mal na trama de nossas vidas. Porque não somos celebridades, então não somos obrigados.

Marcel Camargo

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Nas despedidas, aprendi a dizer "Até logo!"

Desapegar faz parte do entender de que ninguém é dono de ninguém, que cada um tem de seguir seu caminho, juntos ou não. Foi o destino quem decidiu que nesse momento a vida segue. As barreiras foram mais fortes. A despedida falou mais alto. Mas faz parte da vida os "olá" e os "até logo!"
Se despedir não é fácil. Nunca foi e nunca vai ser. Pelo menos para mim não, eu nunca soube lidar. Eu que sempre fui pela vida forçada a me despedir, tive que compreender que não estará mais próximo a mim aquela pessoa de quem eu tanto me cativei.
Eu tentei gravar com meus dedos cada curva e sinais que o corpo dele tinha, para de alguma forma arquivá-lo dentro de mim, mas só isso não foi o bastante. Enquanto ele dormia bonito, eu o admirava como criança quando avista o seu super herói. Como é engraçado o meu benzinho, sabe?! Como foi ruim dizer "tchau!"
Posso recordar o primeiro dia em que o vi, posso recordar cada sorriso tímido que ele dava ao rir de alguma bobagem que me dizia. Que sorriso lindo! Que olhos lindos! Tenho certeza absoluta, que mesmo que eu perdesse a memória, eu me apaixonaria por eles mil e uma vez.
Não é fácil conhecer um alguém, conviver com esse alguém, criar emoções e momentos e como um corte umbilical, ter que se ver despedindo dessa pessoa. Eu tive vontade de permanecer ali o abraçando por toda minha vida. Mas a vida, essa moleca, sempre nos prepara situações como essa, em que o nó na garganta trava as palavras, parece que as lágrimas vão nos afogar e a vista já embaçada, a vista por reflexo a pessoa indo embora.
Eu quis gritar com todas as minhas forças "FICA", mas me calei por compreender as circunstâncias que a vida tem.
Quisera eu ter o poder de controlar as coisas, mas graças a Deus é Ele o dono de todas as coisas, Ele bem sabe o que cada qual deve passar, vivenciar, enfrentar. Você pode esperar... Vai ter sempre um momento da sua vida que você vai desejar se desligar de tudo. Vai haver um momento que seu coração vai vibrar de tanta alegria.
Ninguém passa por nossas vidas por acaso, cabe nós mesmos compreendermos ou não essa chegada, essa partida. Deus sabe o que cada um precisa quando cruza as vidas.
E por não termos o controle, é que com o passar do tempo as coisas vão se acalmando, os dias, os anos, os acontecimentos vai dando novos rumos as vidas que um dia se cruzaram. A vida continua. As vidas são distintas. Ele de um lado e eu do outro.
E sabe por quê a gente sente tanta saudade de um alguém? Porque essa pessoa conseguiu tocar o mais intimo do nosso ser, do nosso sentimento. Ela nos torna especial diante de seus olhos, nos trata como ninguém jamais tratou. Há um encantamento.
A pessoa passa e deixa um pouco de si, mas também leva um pouco de nós. O que fazer com o que ficou? Só o tempo irá dizer. Como Saint Exupéry disse no livro O Pequeno Príncipe, "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." E é verdade! Não tem como apagar o que aconteceu, só mesmo armazenar, se assim ambos não conseguiram concilhar uma reciprocidade.
Não importa o tempo que a pessoa permaneceu junto, mas sim a intensidade. Não há regras quando se trata de sentimentos.
Desapegar faz parte do entender de que ninguém é dono de ninguém, que cada um tem de seguir seu caminho, juntos ou não. Foi o destino quem decidiu que nesse momento a vida segue. As barreiras foram mais fortes. A despedida falou mais alto. Mas faz parte da vida os "olá" e os "até logo!"
Uma certa vez conversando com Deus eu somente pude agradecer por ter conhecido um alguém tão maravilhoso, um alguém que pode me afetar tanto positivamente. Que trouxe a primavera no inverno. Que me proporcionou momentos muito especias. Ele vai, e junto com ele um pedaço de mim. Sim, porque ele se fez parte da minha vida. Vá! Vai com Deus. Obrigada por tudo!
Até logo! Volte sempre!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Felicidade Silenciosa

Penso que a felicidade silenciosa é aquela mais egoísta, sabe? Alguns momentos de contemplação da vida que merecem ser divididos com poucos, ao invés de serem lançados no vento para muitos. A felicidade silenciosa é como um bem valioso – você não sai desfilando com ela pendurada no pescoço. Você guarda numa caixa de jóias dentro do coração. Para estes casos de felicidade silenciosa, não precisa de registro oficial. Quando eu ficar bem velhinha, quero lembrar-me de como eu me senti, e não de quantas fotos tirei. E para isso a minha atenção tem que ser dedicada.

“Felicidade é discreta, silenciosa e frágil, como a bolha de sabão. Vai-se muito rápido, mas sempre se podem assoprar outras.” Rubem Alves
Certa vez viajei para um paraíso na costa da Austrália, e após alguns dias sem dar notícias, uma amiga me escreveu preocupada: “E aí, não está gostando da viagem?” – não entendendo a pergunta, respondi prontamente, “Poxa, é claro que estou. Da onde você tirou essa ideia?”. Ela então, concluiu sua lógica – “ah, é que você não postou nada a respeito, achei que não estivesse se divertindo”. A lógica dela, que é a lógica da maioria (incluindo a minha), me fez pensar. Estaríamos tão acostumados a propagar nossa alegria, que desaprendemos a reconhecer a felicidade silenciosa?
Felicidade silenciosa. É assim que eu chamo aqueles momentos da vida em que não faz a menor diferença se o celular tem bateria ou não. Sabe? A turma certa, a beira de praia perfeita, o boteco no meio da semana, o sítio com os irmãos, os lençóis cheios de delícias, o livro novo, o dia de ser boa companhia pra si mesma(o). Momentos onde a beleza de ser e estar é tão sublime, que ninguém fora destes pequenos universos precisa ficar sabendo. Talvez ela aconteça por medo de que os holofotes ofusquem quem enxerga estas maravilhas. Ou ainda por conta de quem teme o olho gordo. A minha teoria reina na simplicidade da distração. Felicidade silenciosa ocorre por pura distração. Algo do tipo, “opa, esqueci de viver o online pros outros, enquanto vivia o offline pra mim”.
“Ora, ora, não seja hipócrita!”. Sim. É claro que as fotos da minha viagem estão no meu perfil, obvio que eu faço check-in em lugares bacanas e divido meus momentos de emoção com minha audiência preferida em inúmeras ocasiões. Sem dúvidas sou uma daquelas pessoas que gosta de compartilhar onde foi, o que viu, como viveu. Todo mundo é um pouco assim. Entretanto, verdade também é que nada me distrai mais que a felicidade silenciosa. Eu adoro me perder em ruas que desconheço mundo afora e memorizar os cheiros e as sensações. Eu deixo o celular fora do quarto pra me perder nas curvas de alguém que me tira a atenção. Amo e prefiro contar minhas aventuras pessoalmente, pra aqueles que gostam de me ouvir vendo a emoção nos meus olhos e não no brilho de uma tela. Quando não me encontram no celular, quem me conhece já sabe e canta a pedra “está por aí aprontando alegria e sendo feliz!”. E estão certos.
Felicidade silenciosa para os outros, mas que clama dentro da alma. Eu sei que quando a gente está feliz, quer gritar essa condição aos quatro cantos do mundo e que nos dias de hoje a tarefa de fazê-lo realmente é possível. Preste atenção, entretanto, que a felicidade silenciosa se basta em existir. Sobrevive dos sussurros de amor e juras menos dramáticas. É propagado em grupos menores, entre abraços que falam mais que palavras. Não precisa de conexão wi-fi. Não é transmitida em um tweet e certamente não tem filtros. Ela é pura. Sincera e por vezes tão rara. Então não se deixe distrair pelos gritos de euforia no mainstream da felicidade pública. Preste atenção na felicidade silenciosa. O resto é só barulho.

Antônia Macchi