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terça-feira, 13 de abril de 2010

Compreender a impermanência


A vida é como um piquenique em uma tarde de domingo... ela não dura muito tempo.
Só olhar o sol, sentir o perfume das flores ou respirar o ar puro já é uma alegria.
Mas se tudo o que fazemos é ficar discutindo onde pôr a toalha, quem vai sentar em que canto, quem vai ficar com o peito ou a coxa do frango..., que desperdício!
Mais cedo ou mais tarde o tempo fecha, a tarde cai e o piquenique acaba.
E tudo o que fizemos foi ficar discutindo e implicando uns com os outros.
Pense em tudo que se perdeu.
Você pode estar se perguntando: se tudo é impermanente, se nada dura, como pode alguém viver feliz?
É verdade que não podemos, de fato, agarrar ou nos segurar às coisas, mas podemos usar esse conhecimento para olhar a vida de modo diferente, como uma oportunidade muito breve e rara. Se trouxermos à nossa vida a maturidade de saber que tudo é impermanente, vamos ver que nossas experiências serão mais ricas, nossos relacionamentos mais sinceros, e teremos maior apreciação por tudo aquilo que já desfrutamos.
Também seremos mais pacientes.
Vamos compreender que, por pior que as coisas possam parecer no momento, as circunstâncias infelizes não podem durar.
Teremos a sensação de que seremos capazes de suportá-las até que passem.
E com maior paciência seremos mais delicados com as pessoas a nossa volta.
Não é tão difícil manifestar um gesto amoroso quando nos damos conta de que talvez nunca mais estaremos com a nossa tia-avó.
Por que não deixá-la feliz?
Por que não dispor de tempo para ouvir todas aquelas histórias antigas?
Chegar à compreensão da impermanência e ao desejo autêntico de fazer os outros felizes nesta breve oportunidade que temos juntos constitui o começo da verdadeira prática espiritual.
É esse tipo de sinceridade que efetivamente catalisa a transformação em nossa mente e em nosso ser.
Não precisamos raspar a cabeça nem usar vestes especiais.
Não precisamos sair de casa nem dormir em uma cama de pedras.
A prática espiritual não requer condições austeras.... apenas um bom coração e a maturidade de compreender a impermanência.
Isso nos fará progredir.
Chagdud Tulku Rinpoche, em " Portões da Prática Budista"

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Felicidade pega

FÁCIL não é, mas existem maneiras de procurar a felicidade.
A primeira coisa -e a mais importante- é tentar só ter como amigos gente com a vocação da felicidade.
É claro que às vezes eles passam por problemas, e devemos ser solidários nesses momentos.
Mas existem pessoas que nascem de baixo-astral, sempre se queixando de tudo, só falando de problemas e tristezas.
Se você conviver muito com pessoas assim, pode saber que vai ficar mal.
Aliás, gente assim só gosta de se dar com pessoas como elas; quem, nascido com o DNA lá em baixo, vai suportar ser amiga de quem é feliz, otimista, que vive rindo e achando a vida boa?
E não falo só de amigos: se o seu tintureiro se queixa o tempo todo da vida, o professor de ginástica só conta desgraças, a faxineira, as doenças dela e da família inteira, troque, mesmo com dó e piedade.
Você tem que se defender, e uma das maneiras é se afastar, fugir, não chegar nem perto.Eu tive uma empregada que era excelente, e apesar de só se queixar e me contar histórias trágicas (e antigas) -como morreu a avó há 50 anos, a sobrinha que tinha um filho que estava preso, a irmã que pesava 110 quilos e era diabética (tudo com riqueza de detalhes)-, fiquei com ela durante anos, já que era uma ótima profissional.
Mas um dia não deu mais.
Fiz das tripas coração e a demiti, com todas as vantagens da lei e muitas outras, para me livrar da culpa.
Mas fiquei pensando: será que ela vai encontrar outro emprego? E se não encontrasse, a culpa seria toda minha, que deveria ter sido mais paciente e tolerante, sabendo que a vida dela não era fácil etc. etc.
Mas sabe aquele dia em que não dá mais?Pois não deu; assumir minha culpa não foi fácil, mas o que era para ser feito foi feito.
Aí veio uma outra, que não deu muito pé, e antes que laços de amizade se fizessem, dispensei.
E aí veio a terceira, e minha vida mudou.
Em primeiro lugar, ela é uma pessoa de altíssimo astral.
Bem casada, feliz com o marido, e com um sorriso -quando não uma gargalhada- o tempo todo. Quando ela veio pela primeira vez conversar comigo, me chamou logo de Danuza, não de dona Danuza.
Como desde que me entendo por gente as empregadas chamam as patroas de dona, achei um pouco estranho, mas não tive nenhuma condição de pedir que ela me chamasse de dona.
Afinal, isso não tem nada a ver comigo.
E assim fomos indo: Danuza pra cá, Vanúzia (é o nome dela) pra lá, e a vida correndo não só bem, como cada vez melhor.
Ela me elogia, diz que o cabelo novo ficou ótimo, e me confessou que adora Clodovil, Agnaldo Timóteo e não perde um show de Fagner, sua grande paixão.
Tudo isso me faz rir, e de repente percebi que estava rindo o dia inteiro.
Ontem ela estava na área passando roupa, e de repente ouvi um som estranho.
Fui ver e era ela, com o ferro na mão, cantando; cantando alto uma música que nunca ouvi, provavelmente do repertório de Alcione, e quando cheguei à área ela me abriu um grande sorriso e perguntou "quer um chazinho gelado?
Você quase não toma água, e água faz bem, vou pegar um copinho para você".
Largou o ferro e me trouxe um chá bem gelado, e eu vi o quanto eu era feliz de ter uma pessoa assim perto de mim.
Uma empregada que canta e que na hora de ir embora me manda um beijo; tem coisa melhor?Vanúzia vai levar um susto quando ler esta coluna; é capaz até de mandar emoldurar, mas ela merece, pela felicidade que me dá.
E descobri que felicidade e tristeza são tão contagiantes quanto o sarampo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Avance Sempre

Na vida as coisas, às vezes, andam muito devagar.
Mas é importante não parar.
Mesmo um pequeno avanço na direção certa já é um progresso, e qualquer um pode fazer um pequeno progresso.
Se você não conseguir fazer uma coisa grandiosa hoje, faça alguma coisa pequena.
Pequenos riachos acabam convertendo-se em grandes rios.
Continue andando e fazendo.
O que parecia fora de alcance vai parecer um pouco mais próximo, e até dormindo você vai movendo-se para frente.
A cada momento intenso que você dedica com paixão e a amor em Cristo Jesus, um pouquinho mais você se aproxima
do nosso Rei.
Se você pára completamente é muito mais difícil começar tudo de novo.
Então continue andando e fazendo.
Não desperdice a base que você já construiu.
Existe alguma coisa que você pode fazer agora mesmo, hoje, neste exato instante.
Pode não ser muito, mas vai mantê-lo na vida.
Vá rápido quando puder. Vá devagar quando for obrigado. Mas, seja lá o que for, continue. O importante é não parar!!!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O QUE NOS FAZ DAR VALOR ÀS COISAS?‏

Sem etiqueta, sem preço...

A nota é internacional e diz, mais ou menos assim: Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer.
Eis que o sujeito desce na estação do metrô de Nova York, vestindo jeans, camiseta e boné.
Encosta-se próximo à entrada. Tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.
Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.
Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.
Alguns dias antes, Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custaram a bagatela de mil dólares.
A experiência no metrô, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.
A iniciativa, realizada pelo jornal The Washington Post, era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.
A conclusão é de que estamos acostumados a dar valor às coisas, quando estão num contexto. Bell, no metrô, era uma obra de arte sem moldura.
Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.
Esse é mais um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas, que são únicas, singulares e a que não damos importância, porque não vêm com a etiqueta de preço. Afinal, o que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes?
É o que o mercado diz que podemos ter, sentir, vestir ou ser?
Será que os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detêm o poder financeiro?
Será que estamos valorizando somente aquilo que está com etiqueta de preço?
Uma empresa de cartões de crédito vem investindo, há algum tempo, em propaganda onde, depois de mostrar vários itens, com seus respectivos preços, apresenta uma cena de afeto, de alegria e informa: Não tem preço.

E é isso que precisamos aprender a valorizar.
Aquilo que não tem preço, porque não se compra.
Não se compra a amizade, o amor, a afeição.
Não se compra carinho, dedicação, abraços e beijos.
Não se compra raio de sol, nem gotas de chuva.
A canção do vento que passa sibilando pelo tronco oco de uma árvore é grátis.
A criança que corre, espontânea, ao nosso encontro e se pendura em nosso pescoço, não tem preço.
O colar que ela faz, contornando-nos o pescoço com os braços não está à venda em nenhuma joalheria.
E o calor que transmite dura o quanto durar a nossa lembrança.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Esvaziando armários de nossa vida

Todos os anos, há um momento em que olhamos nossos armários com um olhar crítico. Olhamos aquelas roupas que não usamos há tanto tempo. Aquelas que tiramos do cabide de vez em quando, vestimos, olhamos no espelho, confirmamos mais uma vez que não gostamos e guardamos de volta no armário.
Aquele sapato que machuca os pés, mas insistimos em mantê-lo guardado. Há ainda aquele terno caro, mas que o paletó não cai bem, ou o vestido "espetacular" ganho de presente de alguém que amamos, mas que não combina conosco e nunca usamos. Às vezes tiramos alguma coisa e damos para alguém, mas a maior parte fica lá, guardada sabe-se lá porquê.
Um dia alguém me disse: tudo o que não lhe serve mais e você mantém guardado, só lhe traz energias negativas. Livre-se de tudo o que não usa e verá como lhe fará bem.
Acontece que nosso guarda-roupa não é o único lugar da vida onde guardamos coisas que não nos servem mais. Você tem um guarda-roupa desses no interior da mente. Dê uma olhada séria no que anda guardando lá.
Experimente esvaziar e fazer uma limpeza naquilo que não lhe serve mais. Jogue fora idéias, crenças, maneiras de viver ou experiências que não lhe acrescentam nada e lhe roubam energia. Faça uma limpeza nas amizades, aqueles amigos cujos interesses não têm mais nada a ver com os seus.
Aproveite e tire de seu "armário" aquelas pessoas negativas, tóxicas, sem entusiasmo, que tentam lhe arrastar para o fundo dos seus próprios poços de tristezas, ressentimentos, mágoas e sofrimento. A insegurança dessas pessoas faz com que busquem outras para lhes fazer companhia, e lá vai você junto com elas.
Junte-se a pessoas entusiasmadas que o apóiem em seus sonhos e projetos pessoais e profissionais. Não espere um momento certo, ou mesmo o final do ano, para fazer essa "faxina interior". Comece agora e experimente aquele sentimento gostoso de liberdade.
Liberdade de não ter de guardar o que não lhe serve. Liberdade de experimentar o desapego. Liberdade de saber que mudou, mudou para melhor, e que só usa as coisas que verdadeiramente lhe servem e fazem bem.
Wilson Meiler

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Toda mulher é Bruxa?

É preciso magia pra manter ou sair de uma relação, amorosa ou profissional, inteira, forte.
É preciso muita magia pra passar anos, vários anos, trabalhando 24 Horas por dia, sem direito a salário ou férias, acumulando as funções de Babá, Motorista, Administradora, Cozinheira, Psicóloga, Enfermeira, e sei lá o que mais, sabendo de antemão que quando aquelas gracinhas que tanto trabalho dão, tiverem "virado gente", tiverem a cabeça amadurecida, boa pra um papo gostoso, pra te fazer companhia, vai ser também, o tempo delas tomarem o volante de suas vidas e correrem atrás do futuro.
É preciso uma tremenda magia, pra se manter centrada e bem quando toda uma cultura te chama de "velha" como se isso fosse um defeito grave.
É preciso magia "da boa" pra não lastimar o que não deu pra fazer. Pra aceitar ou ir atrás das coisas, mesmo que fora de hora, ou pelo menos, fora da hora da maioria, mas a tua hora.
A hora em que você se sentiu preparada pra essa luta.
A magia é necessária na hora de "dar uma virada" no lado profissional ou sentimental, de estudar aquilo que você acha "incrível". . . de aceitar com serenidade, com paz, os filhos que não vieram por vontade tua ou da própria vida . . . as rugas . . . o corpo meio diferente apesar do esforço, da malhação . . . o cabelo grisalho . . . Sem deixar que isso te transforme em um serzinho inútil.
Diga lá! Essas coisas valem mais que você? Que o teu amor espalhado por aí por tanto tempo Que a tua gargalhada ? Que o teu prazer? Me poupe Menina! (mesmo que os mais jovens digam que é menina de outrora ).
Não se esqueça de se manter Menina até o fim ! Não abandone a criança que mora lá no fundo, a tua melhor parte.
A mais pura e mais forte.
É preciso ser Bruxa pra procurar as tuas verdades, quando elas não são as mesmas das pessoas com quem você convive mais de perto. E com isso arriscar-se a encarar as perdas com coragem.
É preciso ser muito Bruxa pra finalmente reconhecer e "fazer amizade" com a solidão que por tanto tempo você tentou não ver...
È necessário ser Bruxa pra não desistir, não perder a coragem, quando a saúde tenta te dar uma rasteira...
É necessário fazer a mágica de tirar teus sonhos do Baú, onde estiveram guardados por todo esse tempo em que você os deixou esperando e tratar de lutar por eles, por mais bobos e infantis que possam parecer... pra finalmente pensar primeiro na tua alegria, só depois... nos outros.
Pra cuidar de você mesma enquanto há tempo...