sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Prática do Perdão

Quando nos dispomos a fazer uma profunda revisão de nossas histórias, podemos começar a reaprender a amar incluindo o exercício do perdão consigo próprio e com quem ferimos pelo caminho. As vezes, este exercício não é possível pessoalmente, mas ao praticarmos o perdão em nossos corações e orações, nossas lágrimas podem regar a flor do nosso renascimento.

"Nos sentimos aliviados e atraídos quando ...
somos compreendidos, amados, perdoados e incluídos. Onde a autossuficiência e a arrogância imperam, o amor não consegue ser cultivado. E, por outro lado, onde impera a humildade e se faz uma revisão sem medo e sem preconceito da historia da vida, o amor floresce como num jardim. O orgulho e o amor nunca florescem no mesmo terreno."¹

A prática do perdão é fruto da capacidade de amar.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Lápis do vovô

O menino observava seu avô escrevendo em um caderno, e perguntou:

- Vovô, você está escrevendo algo sobre mim?O avô sorriu, e disse ao netinho:
- Sim, estou escrevendo algo sobre você. Entretanto, mais importante do que as palavras que estou escrevendo, é este lápis que estou usando. Espero que você seja como ele, quando crescer.
O menino olhou para o lápis, e não vendo nada de especial, intrigado, comentou:
- Mas este lápis é igual a todos os que já vi. O que ele tem de tão especial?
- Bem, depende do modo como você olha. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir vivê-las,
será uma pessoa de bem e em paz com o mundo – respondeu o avô.
- Primeira qualidade: Assim como o lápis, você pode fazer coisas grandiosas, mas nunca se esqueça que existe uma “mão” que guia os seus passos, e que sem ela o lápis não tem qualquer utilidade: a mão de Deus.
-Segunda qualidade: Assim como o lápis, de vez em quando você vai ter que parar o que está escrevendo, e usar um “apontador”. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas ao final, ele se torna mais afiado. Portanto, saiba suportar as adversidades da vida, porque elas farão de você uma pessoa mais forte e melhor.
- Terceira qualidade: Assim como o lápis, permita que se apague o que está errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos trazer de volta ao caminho certo.
- Quarta qualidade: Assim como no lápis, o que realmente importa não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro dele. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você. O seu caráter será sempre mais importante que a sua aparência.
- Finalmente, a quinta qualidade do lápis: Ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida deixará traços e marcas nas vidas das pessoas, portanto, procure ser consciente de cada ação, deixe um legado, e marque positivamente a vida das pessoas.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Pensamentos secretos

Será que alguém conhece alguém de verdade? Nunca aconteceu de morrer uma pessoa de sua família e começarem a rolar - à boca pequeníssima - umas histórias que você jamais imaginou, nem em sonhos? Amores secretos, traições, heranças mal resolvidas - e sexo, claro. Aliás, nem é preciso esperar que a pessoa morra. Se tiver uma tia bem indiscreta, daquelas consideradas loucas pela família - e quem não tem uma tia assim? -, vai saber de histórias que nunca imaginou que existissem, a não ser na cabeça de Nelson Rodrigues. Quais são as pessoas mais próximas a você? Teoricamente, seus pais e seus filhos. E você acha que sabe como eles são, as coisas que já fizeram ou que são capazes de fazer? Se respondeu sim, sem hesitar, cuidado: está passando o maior recibo de ingênua, e tudo indica que pode ser enrolada a qualquer momento, por qualquer um. Aquela senhora tão distinta e aquele senhor tão considerado: não dá para acreditar que tenham experimentado os desejos mais violentos por outros/outras que não o próprio cônjuge. E mais: já imaginou que eles, mesmo com a cabeça branca e tão sensatos, já fizeram loucuras e transaram com tanta paixão quanto todas as pessoas do mundo?

Você, por exemplo? Pense um pouco: será que seus pais têm uma vaga idéia do que já foi capaz de aprontar? E acha que eles são diferentes? Por quê? No mínimo, por uma questão de DNA, vocês têm alguma coisa em comum. Mas é difícil para um pai admitir a sexualidade dos filhos; tanto quanto para um filho admitir a sexualidade dos pais. No fundo, todos gostaríamos que eles - nossos pais e nossos filhos - apreciassem música clássica e se unissem a pessoas de sentimentos nobres, com quem tivessem filhos bonitos e inteligentes, de preferência como a Virgem Maria: sem sexo. É claro que somos modernos e esclarecidos, vivemos a época da pílula e da liberação sexual, tivemos a sorte de ser da geração pré-aids - e aliás aproveitamos -, mas em relação a nossos pais continuamos tão caretas quanto se vivêssemos no século retrasado. E em relação a nossos filhos também.

Bem, agora que ficou claro que não conhecemos nem nossos pais nem nossos filhos, responda: e você, se conhece perfeitamente? Quando deita a cabeça no travesseiro tem a coragem de pensar - só pensar - em seus desejos mais secretos? Ou se enrola e toma um Lexotan para evitar esse tipo de pensamento? Eles são tão perigosos que podem ser pecaminosos; quem não se lembra do tempo em que era criança e se ajoelhava para confessar aqueles grandes pecados de quando se tem 10 anos? Sempre surgia aquele inevitável "pequei por pensamentos", que nos acompanha pela vida inteira. Ah, a culpa pelos maus pensamentos; e que maus pensamentos são esses? Ter desejado a mulher - ou homem - do próximo? E desejar um homem que não tem dono, pode? E quem é que está assim tão solto na vida para que se possa desejar sem pecar? Ah, o tal do pecado.

Danuza Leão

terça-feira, 25 de setembro de 2012

É proibido...


É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Alfredo Cuervo Barrero

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Por que as mulheres não conquistaram o direito de ficar sozinhas??


Sempre perturbadora a presença de uma mulher sozinha num bar – se for bonita, claro. Digamos que ela chegue, se dirija a uma mesa sem procurar com os olhos por ninguém, sente-se, cruze as pernas e peça uma bebida. Nunca um vinho do porto; sempre uma bebida forte, um dry martini ou um Jack Daniel’s.

Todos os homens do bar vão fantasiar a respeito. Alguns vão achar que marcou um encontro com alguém que não apareceu, o que baixa em alguns pontos o ibope dela; outros pensarão que está ali para arranjar um homem. Quem estiver sozinho não vai tirar os olhos dela, mas, além de se vestir de maneira correta, ela olha para as pessoas também da maneira correta. Não é por aí. Como é bonita, mesmo os homens acompanhados não poderão evitar um olhar mais insistente, o que vai provocar o ciúme de suas companheiras. um comentário do tipo: “Ela levou um bolo”, acompanhado de um sorriso de satisfação – sabe como é mulher com ciúme, com ou sem razão.
Não ocorre a ninguém que uma mulher possa gostar de estar só, num bar, contemplando o mundo. E que dali ela possa ir jantar e, depois, voltar para casa com o coração totalmente em paz. Apesar de todas as liberdades conquistadas, no fundo do coração conservador de cada um de nós, homens e mulheres, o certo é uma mulher estar com um homem, mesmo que ele seja visivelmente gay. Admite-se até que ela esteja com uma amiga, mas nunca sozinha.
Ninguém é capaz de imaginar o que passa no coração das pessoas; elas não pensam nem por um instante que, para essa mulher tão desenvolta, pode ser complicado se relacionar; que ela não teria maiores problemas de estar ali com amigos. E dificilmente compreenderiam quanto ela gosta de estar só, pois é justamente quando está só que ela não está só, pois se entende muito bem com ela mesma e com seus pensamentos.
Seria complicado para qualquer um entender que o difícil para ela é estar numa mesa com quatro ou cinco pessoas, todas alegres e divertidas, conversando; que nessas ocasiões fica paralisada, muda, e precisa de um enorme esforço para fingir que faz parte daquele grupo – ela, que frequentemente duvida fazer parte do mundo.
Seria difícil explicar que não existe momento em que se sinta mais só do que quando entra numa festa e se vê rodeada de pessoas, todas amáveis, simpáticas e inteligentes. É nessas ocasiões que ela olha o relógio pensando em quantos minutos ainda vai ter que ficar para não pegar mal, sonhando com sua cama, seu travesseiro e o final de um filme qualquer na televisão.
Nós, mulheres, conquistamos todos os direitos, menos o de podermos ficar sozinhas – por escolha. E isso é algo que ninguém entende, muito menos os homens.

Danuza Leão

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Passando a vida a limpo


Como já estamos em dezembro - meu Deus, como o tempo está passando rápido! -, chegou a hora de fazer o famoso balanço, aquele que se faz todo fim de ano. O meu já está feito; não o balanço do ano, mas o balanço da minha vida inteira. Foi assim: fui procurada por uma editora, a Companhia das Letras, que propôs que eu escrevesse minha história. Fiquei assustada, claro; nunca tinha passado pela minha cabeça escrever sobre a minha vida. Será que eu me lembraria de tudo, de coisas nas quais não pensava fazia tantos anos? Mas a memória é curiosa: está tudo lá, tudo o que realmente importou, e durante nove meses - o tempo de uma gestação - me debrucei sobre o passado. Surpreendentemente, consegui me lembrar de fatos da minha infância, adolescência, casamentos, separações, alegrias e tristezas. Não foi fácil. Voltar ao passado significa revivê-lo, e lembrar de momentos que passaram e nunca vão voltar é, muitas vezes, melancólico. Mas nem sempre: quando você pensa nos momentos difíceis que na hora pareciam o fim do mundo, vê que outros vieram, alguns até melhores.
Essa "viagem" - porque é uma viagem - mostra que a vida é mesmo imprevisível e que tudo pode acontecer a qualquer instante, desde que a gente esteja aberta e receptiva. A você, que vai fazer seu balanço, eu daria uma sugestão: mesmo que não costume escrever, compre um caderno e toda noite, antes de dormir, faça um pequeno resumo do seu dia. Escreva as coisas mais banais, conte que tomou um ônibus, quanto pagou pela passagem, que comprou um sapato, descreva a cor e o modelo, que pensou em ir ver um determinado filme, que brigou com o namorado; conte seu dia, enfim, e faça disso um hábito. Todas nós temos curiosidade de saber como foi a vida de nossas mães, de nossas avós. Se elas tivessem feito isso, que riqueza seria ler esses pequenos relatos do cotidiano, saber como era a vida quando elas eram jovens, o que queriam, com que sonhavam. Sabemos muito pouco sobre as pessoas mais próximas de nós e, se você fizer o que estou sugerindo, um dia seus netos e bisnetos vão encontrar esses cadernos, que serão para eles um verdadeiro tesouro. Como eu gostaria de saber como era a vida de minha avó; isso me ajudaria a compreender melhor por que sou o que sou.
É sempre hora para começar, e não existe dia melhor para isso do que o 1o de janeiro. No fim do ano, você vai ler o que escreveu e ver que se aborreceu com coisas bobas, que teve alegrias das quais tinha esquecido, que amores que pareciam eternos não foram tão eternos assim, que as coisas passam, que é fundamental ter esperança e que a vida vale a pena, sempre. Escreva, sim; será uma conversa sincera com você mesma, e quando, no final de 2006, ler o que escreveu, vai levar alguns sustos, mas faz parte. Prepare-se também para se emocionar e saiba: qualquer vida, mesmo a aparentemente mais banal, dá um romance.

Danuza Leão

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Traição é Crime

Houve um tempo em que traição era crime, e quem traía perdia o direito até aos filhos, e nesses tempos remotos a traição se chamava adultério. As coisas mudaram, mas eu acho que a traição continua sendo crime - e hediondo. Devo ter sido traída várias vezes - afinal, quem não foi? -, mas dei a sorte de nunca ter tido a certeza. Porém, sofri tanto só de desconfiar que não desejo isso nem para minha pior inimiga. Que mentira: para ela eu desejo, sim. Ainda mais se ela for aquela grande amiga que, eu supeitava, estava tendo um caso com meu marido.


Traição de homem a gente tira de letra, sempre se soube que a raça masculina não resiste a uma coxa durinha, bem queimadinha de sol. Eles são infantis e nunca vão mudar. Mas essas coisas a gente perdoa, pois é tão bom quando ele nos cobre de beijos e diz que é tudo imaginação, que somos loucas. Mesmo que seja tudo mentira, é tão delicioso escutar essas declarações de amor que a gente acredita. Mas existe uma traição difícil de engolir: é a traição pública, aquela que todo mundo fica sabendo. Aí é difícil perdoar, e, mais ainda, esquecer. É quando me vem à cabeça o affair Clinton. Os primeiros tempos devem ter sido horríveis, mas, como não dava mesmo para negar, eles decidiram ficar juntos. O.k. Tinha a política, Hillary queria ser eleita senadora e conseguiu. Imagino que nos primeiros dias eles tenham ficado a maior parte do tempo calados; falar de quê? Mas as coisas foram se acalmando e uma bela noite ele deve ter tentado uma transa.

Os homens sempre acham que uma boa transa apaga todos os erros cometidos (por eles). E é isso que me põe curiosa: será que, quando ela olhou nos olhos dele, bem de perto, não pensou, automaticamente, em Monica Lewinsky? E aí, será que deu para ir em frente? Houve um tempo em que os homens negavam tudo. Pela minha alma", eles diziam, ou "pela alma de minha mãe", pobre mãe. Depois veio a onda do modernismo, em que as mulheres até compreendiam uma traição, mas eles tinham que contar: era a época da sinceridade acima de tudo. Pois eu espero que o homem que me trair tenha a delicadeza de negar sempre. Não me interessa que ele seja sincero e verdadeiro; quero achar que ele nunca me traiu, e para isso ele pode (e deve) mentir descaradamente, dizer que estou pirada, que caia um raio em sua cabeça se estiver mentindo. Como nenhum raio vai cair mesmo, ele pode falar à vontade; eu vou acreditar em tudo e ficar bem feliz. Um dia eu li num jornal que um casal francês bem idoso estava sentado num banco do jardim de Luxembourg, em Paris, conversando, quando ela perguntou se ele tinha ou não tido um caso com uma tal fulana, 50 anos atrás. Afinal, tanto tempo já havia passado, ele podia dizer. O marido confessou, e a velhinha deu-lhe uma dentada na orelha tão violenta que ele foi parar no hospital. Trair, ainda vai, mas confessar, jamais.
Danuza Leão