quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Prazeres femininos

As mulheres, em algum momento da vida, enfrentam um dilema: "Será que eu largo tudo para ficar com ele?" Já os homens, para ficar com a gente, nunca precisam largar nada.
Mulheres casadas, quando se apaixonam por outro homem, têm que tomar várias decisões, sendo que a primeira é deixar a casa, aliás, o lar, e os filhos.
Essa história é meio mal contada pelos maridos, é claro: elas apenas trocam de vida e não estão largando filho nenhum.
Mesmo que depois eles passem os fins de semana, de 15 em 15 dias, com os pais, isso não é abandono.
A vida estará apenas mudando, como acontece com tudo o tempo todo.
Já os homens estão sempre na boa: nunca precisam optar.
Quando a vida toma outros rumos, geralmente têm o poder econômico em suas mãos o que ajuda bastante, pegam um avião e levam os filhos para passar um finzinho de semana em Miami, o que atenua qualquer sensação de ter abandonado o tal do lar.
Homens não precisam escolher entre a profissão e a família; mas, se uma superexecutiva casada e com filhos for transferida para Washington por dois anos, o marido vai largar o trabalho ou ela é quem vai ter que decidir entre a carreira e o casamento?
Agora, o contrário: se ele tiver a oportunidade de passar uma temporada num país estrangeiro, qual será a opinião dos amigos? "Ah, que ótimo para as crianças, vão aprender outra língua."
E quanto ao trabalho dela, que mesmo não sendo importantíssimo segue em franca ascensão?
Ora, ora, quando voltar pode começar tudo de novo e enquanto estiver morando fora terá chance de aproveitar vários cursos, de história da arte a pintura em porcelana.
Os homens, às vezes, só matando. Eles, quando têm que viajar dois dias a trabalho, limitam-se a pedir que ela faça uma sacolinha básica para levarem.
Já as mulheres têm que deixar a casa organizada e os filhos com alguém, que nunca é o pai, controlando se fizeram os deveres, se foram ao dentista e sem esquecer de manter a geladeira cheia. Mesmo assim, vão ter que telefonar umas 18 vezes por dia para ver se está tudo em ordem.
Ah, como deve ser bom ser homem. Liberdade mesmo, só eles sabem como é.
Mulheres fazem tudo o que eles fazem, porém com remorso e culpa.
Daqui a umas 12 gerações talvez não, mas até lá vão continuar a fazer e a sofrer.
Já os homens estão tão acostumados a poder tudo que jamais conhecerão o grande prazer de mesmo com culpa fazer o que não pode.
Por exemplo, encontrar um desconhecido num bar e tomar um drinque, coisa que as ditas mulheres sérias não têm o direito de ousar.
Dizer e ouvir tudo o que uma moça correta não deveria e ir às últimas conseqüências com quem bem entender, mesmo sentindo remorso; afinal, os direitos são iguais ou alguém vai negar isso?
Mas por que a graça dessas coisas é tão maior para as mulheres do que para os homens? Porque para elas há o grande prazer, que é o da transgressão.
Os homens, como têm direito a tudo, nunca transgridem e não sabem o que estão perdendo. Porque transgredir é das melhores coisas da vida.

Danuza Leão

terça-feira, 23 de outubro de 2012

TORRADAS QUEIMADAS

Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar. E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho, muito duro.

Naquela noite, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas bastantes queimadas, defronte ao meu pai. Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez, foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia, na escola.

Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada bocado.
Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada.
E eu nunca esquecerei o que ele disse:
“- Adorei a torrada queimada..."
Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, eu lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada.
Ele me envolveu em seus braços e me disse:

" - Companheiro, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada... Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou o melhor marido, empregado, ou cozinheiro, talvez nem o melhor pai, mesmo que tente todos os dias!
O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros. 
Desde que eu e sua mãe nos unimos, aprendemos, os dois, a suprir um as falhas do outro. Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de alumínio brilhando.
Ela não sabe usar a furadeira, mas após minhas reformas, ela faz tudo ficar cheiroso, de tão limpo. Eu não sei fazer uma lasanha como ela, mas ela não sabe assar uma carne como eu. Eu nunca soube fazer você dormir, mas comigo você tomava banho rápido, sem reclamar.
A soma de nós dois monta o mundo que você recebeu e que te apóia, eu e ela nos completamos. Nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto temos os dois presentes. Não que mais tarde, o dia que um partir, este mundo vá desmoronar, não vai. Novamente teremos que aprender e nos adaptar para fazer o melhor.
De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas e com amigos.
Então filho, se esforce para ser sempre tolerante, principalmente com quem dedica o precioso tempo da vida, à você e ao próximo.”

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

É preciso acreditar na felicidade....

· Não importa onde eu estou, de onde eu venho, mas onde eu quero e vou chegar.
· Hoje você pode estar lá encima, mas se distrair pode cair rápido e feio.
· O que vai determinar o seu futuro é o seu son...

ho. É saber colocá-lo em prática.
· Ajude as pessoas a serem felizes.
· Mais importante do que ter dinheiro é ter amigos.
· Quando a tua vitória significa a vitória dos outros, eles vão te aplaudir no sucesso.
· Não tenha piedade de si mesmo. Envolva-se, arrisque-se.
· Você está onde merece.
· Perdedor: reclama, dá desculpa e acusa. Vencedor: decide, planeja e realiza.
· Na hora da morte 90 % estão arrependidos da maneira como viveram.
· Três coisas que as pessoas se arrependem diante da morte:
· Não ter amado muito
· Não ter curtido os filhos
· Não ter ido à busca de seus sonhos
· A vida não engana ninguém.
· A felicidade é formada por coisas simples: amigos, amor, família, lealdade, respeito e dignidade.

  Blog Femme Digitale

Pensamentos secretos


Será que alguém conhece alguém de verdade? Nunca aconteceu de morrer uma pessoa de sua família e começarem a rolar - à boca pequeníssima - umas histórias que você jamais imaginou, nem em sonhos? Amores secretos, traições, heranças mal resolvidas - e sexo, claro. Aliás, nem é preciso esperar que a pessoa morra. Se tiver uma tia bem indiscreta, daquelas consideradas loucas pela família - e quem não tem uma tia assim? -, vai saber de histórias que nunca imaginou que existissem, a não ser na cabeça de Nelson Rodrigues. Quais são as pessoas mais próximas a você? Teoricamente, seus pais e seus filhos. E você acha que sabe como eles são, as coisas que já fizeram ou que são capazes de fazer? Se respondeu sim, sem hesitar, cuidado: está passando o maior recibo de ingênua, e tudo indica que pode ser enrolada a qualquer momento, por qualquer um. Aquela senhora tão distinta e aquele senhor tão considerado: não dá para acreditar que tenham experimentado os desejos mais violentos por outros/outras que não o próprio cônjuge. E mais: já imaginou que eles, mesmo com a cabeça branca e tão sensatos, já fizeram loucuras e transaram com tanta paixão quanto todas as pessoas do mundo?

Você, por exemplo? Pense um pouco: será que seus pais têm uma vaga idéia do que já foi capaz de aprontar? E acha que eles são diferentes? Por quê? No mínimo, por uma questão de DNA, vocês têm alguma coisa em comum. Mas é difícil para um pai admitir a sexualidade dos filhos; tanto quanto para um filho admitir a sexualidade dos pais. No fundo, todos gostaríamos que eles - nossos pais e nossos filhos - apreciassem música clássica e se unissem a pessoas de sentimentos nobres, com quem tivessem filhos bonitos e inteligentes, de preferência como a Virgem Maria: sem sexo. É claro que somos modernos e esclarecidos, vivemos a época da pílula e da liberação sexual, tivemos a sorte de ser da geração pré-aids - e aliás aproveitamos -, mas em relação a nossos pais continuamos tão caretas quanto se vivêssemos no século retrasado. E em relação a nossos filhos também.

Bem, agora que ficou claro que não conhecemos nem nossos pais nem nossos filhos, responda: e você, se conhece perfeitamente? Quando deita a cabeça no travesseiro tem a coragem de pensar - só pensar - em seus desejos mais secretos? Ou se enrola e toma um Lexotan para evitar esse tipo de pensamento? Eles são tão perigosos que podem ser pecaminosos; quem não se lembra do tempo em que era criança e se ajoelhava para confessar aqueles grandes pecados de quando se tem 10 anos? Sempre surgia aquele inevitável "pequei por pensamentos", que nos acompanha pela vida inteira. Ah, a culpa pelos maus pensamentos; e que maus pensamentos são esses? Ter desejado a mulher - ou homem - do próximo? E desejar um homem que não tem dono, pode? E quem é que está assim tão solto na vida para que se possa desejar sem pecar? Ah, o tal do pecado.

Danuza Leão

domingo, 21 de outubro de 2012

QUANDO CHEGAR


"Quando chegar aos 30
serei uma mulher de verdade
nem Amélia num ninguém
um belo futuro pela frente
e um pouco mais de calma talvez

e quando chegar aos 50
serei livre, linda e forte
terei gente boa ao lado
saberei um pouco mais do amor
e da vida quem sabe

e quando chegar aos 90
já sem força, sem futuro, sem idade
vou fazer uma festa de prazer
convidar todos que amei
registrar tudo que sei
e morrer de saudade."

Martha Medeiros

sábado, 20 de outubro de 2012

Trem - Bala




 Quando a novela Pantanal entrou no ar, foi aquele susto. Cenas que duravam dez minutos, sem cortes. Tomadas contemplativas da natureza. Longos banhos de rio, um pássaro sobrevoando as árvores em solow motion, o olhar sonolento...
de um jacaré exausto. Os índices do Ibope dispararam. O povo, acostumado com a estética do videoclipe, aquele frenesi de imagens picotadas, finalmente descansava em frente à televisão.

A vida lenta é como uma novela que passou anos atrás e que só pode ser resgatada pela memória: não existe mais. Não há mais tempo para closes. Não há paciência para uma paisagem, para um deslumbramento, para um silêncio. Ao menos não aqui, nos trilhos urbanos, onde todos assistem à vida passar como se estivessem na janela de um TGV.

Os trens de longa distância não têm romantismo, não param em cada estação nem são ambientes propícios para a investigação de um Hercule Poirot, pois não daria tempo de descobrir quem é o assassino. As distâncias foram encurtadas. Chegamos rápido ao nosso destino. Já não há prazer no percurso, estamos constantemente cumprindo metas e criando outras, numa viagem que não termina. O assassino, Monsieur Poirot, é o relógio.

A edição de videoclipes é a cara da vida real. Overdose de informação, gente desfocada e uma certa vertigem. Mudam-se regras e valores em segundos. Paixões começam e terminam, pessoas nascem e morrem, empresas crescem e sucumbem, nada mais é secular: no máximo, pertence a esta década, que já está tão antiga quanto o dia de ontem.

Empurrados por este ritmo alucinante do cotidiano, fazemos uma leitura dinâmica dos fatos, entendendo por fato não só o terremoto, a eleição ou a cotação do dolar, mas nossa dificuldade em administrar uma relação amorosa, o valor que tem um parto normal ou a importância do humor nas horas ingratas. Fatos pessoais, diários, que mereceriam uma espiada menos veloz.

Não quero dar ao Governador Itamar Franco a ideia de ressuscitar as marias-fumaças. A vida não vem com air-bag: uma freada agora, a esta velocidade, seria fatal. Em frente, então. Mas que cada um saiba criar sua área privativa de descanso: um livro no final da noite, um fim de semana na praia, uma caminhada pela manhã, uma meditação básica. Refúgios que permitam continuar seguindo a viagem sem perder a melhor parte, que é nossa reflexão sobre o que acontece lá fora, já que não dá para saltar deste trem.

Martha Medeiros(Setembro de 1999)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Ser feliz no amor

A paixão existe, para o bem e para o mal, e quando acontece é difícil evitar. O trágico é quando se confunde uma paixão com um dos 300 entusiasmos que se têm numa vida. Eu disse 300? Digamos 500, para as mais arrebatadas. E por que as mais e não os mais? Porque as mulheres se apaixonam muito mais do que os homens. Quantas histórias eu ouvi contara respeito de amores mal resolvidos, traições, sofrimentos - todas escritas por mulheres. A maioria delas se queixando do homem, que não correspondeu com a mesma intensidade ou aprontou. Se esquecem de que a paixão não é um sentimento unilateral e só existe quando vivida a dois. Voltando: por que as mulheres se apaixonam tanto? Um olhar mais demorado, um telefonema na hora certa, um aperto no braço, e lá estão elas, desvairadas, prontas para qualquer loucura - quando eles permitem, é claro. Homens odeiam responsabilidades e, quando são pressionados, costumam se sair com a frase clássica: "Mas eu nunca te prometi nada". Prometeu, sim, só não disse as palavras - porque o amigo advogado avisou. Antes de conseguirem o que mais querem - e todo mundo sabe o quê -, eles fazem de tudo (e as mulheres sabem desde os 3 anos de idade que quanto mais tempo demorarem para entrar no motel maiores são as chances de que a coisa dure). Eles dizem, olho no olho, que nunca sentiram nada de parecido por mulher alguma, e elas - nós, aliás - acreditam em tudo. Mesmo assim, costumamos pedir que jurem, o que eles fazem com a maior facilidade, e aí vamos aos píncaros da felicidade. Como, em momentos de tal gravidade, alguém seria capaz de mentir? Se um homem quiser ter uma escrava a seus pés, basta que no dia seguinte à primeira transa mande flores dizendo, por escrito, tudo que ela gostaria de ouvir, que é apenas o de sempre. Só que ultimamente os homens têm verdadeiro pavor de ter uma mulher a seus pés, e o que costuma acontecer é desaparecerem no famoso dia seguinte para que não se caracterize nenhum vínculo. É dura a vida. Por mais que os tempos tenham mudado, o objetivo supremo da maioria das mulheres é ser feliz no amor. Por mais bem-sucedidas que sejam na carreira, por maiores que sejam suas glórias pessoais, se for preciso escolher entre um príncipe encantado e o resto do mundo, elas hesitam. A culpa é dos filmes e romances que, durante séculos, terminaram com a frase "e foram felizes para sempre". Tudo bem que a mulher mudou, mas ter uma carreira passou a ser importante sobretudo porque precisa se sustentar. Nunca se ouviu falar de alguma que, apaixonada, tenha dispensado o namorado para ir almoçar com uma amiga no shopping. Já eles fazem isso o tempo todo - ou você já ouviu falar de um homem normal que tenha deixado de ir ao futebol porque está apaixonado? O coração dos homens bate diferente do das mulheres, é ilusão pensar que isso vai mudar. As mulheres lutaram para se emancipar e conquistar seus direitos, mas continuam sonhando com o amor; os homens já nasceram emancipados, com todos os direitos, e não querem ouvir falar de a mor. E assim fica difícil.

Danuza Leão