segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ostra feliz não faz pérolas!


As pérolas são feridas curadas, são produtos da dor.
Resultado de uma substância
estranha ou indesejável no interior da ostra,
como um parasita ou um grão de areia.
A parte interna da concha de uma ostra é uma substância
lustrosa chamada nácar.

Quando um grão de areia penetra as células do nácar,
eles começam a trabalhar e cobrem
o grão de areia com camadas e mais camadas
para proteger o corpo indefeso da ostra.

Como resultado, uma linda pérola é formada.
Uma ostra que não foi ferida de algum modo, não produz pérola,
pois a pérola é uma ferida cicatrizada.
Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de alguém?
Você já sentiu que seu mundo está para desmoronar,
que nada dá certo, que os problemas rondam você?
Você já foi acusado de ter dito coisas que não disse?
Suas idéias já foram rejeitadas?

Então produza uma pérola!

Cubra sua dor, suas mágoas, suas rejeições
sofridas com camadas de amor.
Lembre-se apenas de que uma ostra que não foi ferida
jamais poderá produzir pérolas.
E que as pérolas são feridas cicatrizadas.
O processo de produzir a pérola é a resposta que um
pequeno ser pode dar ao insulto que recebe,
ao estranho que entra no seu mundo e que o machuca.
Podemos dizer então que a pérola é a resposta da ostra quando machucada.

Eu não sei o que você faz das suas dores.
Eu não sei o que você faz dos insultos que recebe.
Eu não sei o que você faz das dificuldades na sua vida.
Eu não sei como é que você lida com aquilo que nós consideramos sofrimento.
Eu só sei que a sabedoria nos ensina que quando uma dor nos toca,
de alguma forma, uma redenção já se aproxima,
porque a redenção só é possível no
momento em que a gente descobre o significado do sofrimento.

Há pessoas que sofrem por sofrer.
Há pessoas que descobrem o significado do sofrimento.
E você já parou para pensar que, quanto mais uma pessoa sofre,
mais histórias ela tem para contar depois?
E que quanto maior é o sofrimento maior é o ensinamento que fica dele?
Eu sei que é difícil, eu sei que não é fácil utilizar-se dessa linguagem.
Eu sei que na prática, quando o sofrimento nos envolve,
é difícil a gente descobrir um significado para ele.

Mas nós não podemos negar que a gente vai ficando sábio
à medida que a gente vai descobrindo o jeito de lidar com a vida.

Que todas as suas feridas possam, em breve, se transformar em pérolas!

Padre Fábio de Melo

sábado, 5 de novembro de 2011

Xícaras

Um grupo de ex-alunos, todos muito bem estabelecidos profissionalmente, se reuniu para visitar um antigo professor da universidade. Em pouco tempo, a conversa girava em torno de queixas de estresse no trabalho e na vida como um todo.

Ao oferecer café aos seus convidados, o professor foi à cozinha e retornou com um grande bule e uma variedade de xícaras - de porcelana, plástico, vidro, cristal; algumas simples, outras caras, outras requintadas; dizendo a todos para se servirem.

Quando todos os estudantes estavam de xícaras em punho, o professor disse: se vocês repararem, pegaram todas as xícaras bonitas e caras, e deixaram as simples e baratas para trás. Uma vez que não é nada anormal que vocês queiram o melhor para si, isto é a fonte dos seus problemas e estresse. Vocês podem ter certeza de que a xícara em si não adiciona qualidade nenhuma ao café. Na maioria das vezes, são apenas mais caras e, algumas vezes, até ocultam o que estamos bebendo.

O que todos vocês realmente queriam era o café, não as xícaras, mas escolheram, conscientemente, as melhores xícaras... e então ficaram todos de olho nas xícaras uns dos outros.

Agora pensem nisso: a vida é o café, e os empregos, dinheiro e posição social são as xícaras. Elas são apenas ferramentas para sustentar e conter a vida... e o tipo de xícara que temos não define, nem altera, a qualidade de vida que vivemos... a nossa felicidade!

Às vezes, ao nos concentrarmos apenas na xícara, deixamos de saborear o café que Deus nos deu. Deus côa o café, não as xícaras...

Saboreie o seu café!



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Conversa entre duas crianças

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:

- Você acredita na vida após o nascimento?

- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.

- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?

- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.

- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída - o cordão umbilical é muito curto.

- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.

- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.

- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.

- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?

- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.

- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.

- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela...


Filho: Mamãe, meu coração tá doendo, passa pomada?
- com uma certa preocupação, a mãe pergunta -
Mãe: Seu coração filho? como assim ? o que aconteceu?
Filho: Não aconteceu nada mamãe, começou a doer do nada, mas tá doendo muito, passa a pomadinha !
Mãe: Não tem como passar pomada no coração filho, o que você tava fazendo quando começou a doer?
Filho: Eu tava conversando com a Laura, lá no balanço da escolinha, aí ela me contou que gostava do Hugo, aquele meu amigo que vem sempre aqui em casa. Aí quando ele passou perto dela, ela levantou do balanço e foi atrás dele e me deixou sozinho, aí o meu coração começou a doer, e ta doendo até agora.
A mãe assustada, não sabia o que dizer ao filho e então simplismente o abraçou e sussurou no ouvido dele.
Mãe: Filho, você conheceu o amor.
O filho meio sem entender, perguntou.
Filho: O amor? Mas você sempre disse que o amor era uma coisa boa, e então porque ele está machucando meu coração?
Mãe: Não são todos aqueles que sabem valorizar o amor, e quando esse amor se oferece para alguém, e esse alguém não dá valor, o amor fica triste e volta pra sua casinha, que é o coração, e pra o amor entrar de novo no coração, deixa um machucado bem grande nele. E esse machucado que fica no coração, se chama decepção....

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Quando o filho vira pai ...

A sogra de um amigo começou a ter pequenos lapsos de memória. Em seis meses, sua condição decaiu bastante. Não se lembra de fatos corriqueiros. E com frequência diz verdades que a família preferia silenciar.

— Você sabia que seu primo não é filho do marido da minha irmã? Nem o pai sabe, mas na época ela me contou...

Meu amigo perguntou: — Na sua opinião, o que a gente deve fazer?

Respondi simplesmente: — Cuidar dela.

Ele reagiu com surpresa: — Nós não vamos suportar!

Eu me espanto sempre com o espanto. Fui educado por meus pais. Gostaria de ter tido mais dinheiro, quando eles eram vivos, para lhes oferecer uma condição melhor. Ou confortos que não chegaram a ter. Mas eu e meus irmãos conseguimos no mínimo o necessário: um bom plano médico e, quando a aposentadoria minguou devido aos reajustes menores, uma complementação de renda. Quando criança, eu precisava do apoio de meus pais. Quando envelheceram, precisaram do meu. Em maior ou menor medida, para todos nós é assim.

Então, por que a dúvida?

Eu observo que muitos conhecidos meus não aceitam a fragilidade dos pais. Ou põem em primeiro lugar seus próprios desejos. Em vez de companheiros, tornam-se inimigos. Outro dia vi uma amiga atender o celular irritada.

— É minha mãe. Tem um problema atrás do outro!

Concordo: na velhice, muita gente se torna mais difícil. Ranzinza. Às vezes com problemas mentais, como a sogra de meu amigo. Ou simplesmente solitária. Exigem mais. Reclamam. Mas quando eu era bebê não gritava pedindo para mamar? Não atormentava meus pais de noite? Na vida moderna, a gente aprende que é preciso ter sucesso. Dinheiro. E, na luta pelo tal sucesso, muitas vezes a gente se esquece do amor. Como sentir-se bem se a mãe ou o pai está sozinho em algum lugar, com dificuldades? Entre a ida ao shopping e o programa da noite, não é possível ao menos uma visitinha? Se necessário, morar junto, dividir o espaço, mesmo com dificuldades de relacionamento? Ou a palavra “solidariedade” perdeu o sentido?

Sou um tipo meio fatalista. Acho que a vida dá voltas. Um amigo se casou com uma mulher egoísta. Filho único, de mãe separada e sem pensão. Durante algum tempo, a mãe foi sustentada por um tio solteirão. Quando este faleceu, começaram as brigas domésticas: a mulher não admitia que meu amigo desse dinheiro à mãe. Era um rapaz de classe média. Durante algum tempo, arrumou trabalhos extras para ajudar a idosa. Convencido pela esposa, mudou-se para longe. Visitava a mãe uma vez por ano. Para se livrar da questão financeira, ele a convenceu a vender o apartamento. Durante alguns anos, a mãe viveu desse dinheiro. Muitas vezes lamentando a falta do filho, mas o que fazer? Ele sempre tão ocupado, viajando pelo mundo todo, não tinha tempo disponível. Na casa da mãe, faltou até o essencial. E ela faleceu sozinha.

O tempo passou. Hoje esse mesmo amigo, outrora um profissional disputado, está desempregado. Foi obrigado a se instalar com a família na casa dos sogros, onde é atormentado diariamente. A filha cresceu e saiu de casa. Quer seguir seu próprio rumo!

Meu amigo não tem renda, nem bens. Está quase se divorciando. Ficou fora do mercado de trabalho. O que vai acontecer? A filha cuidará dele? Tenho dúvidas, porque ele não a ensinou com seu próprio exemplo.

Pode parecer piegas. Mas acho que a vida é um eterno ciclo afetivo. Em uma época, todos nós somos filhos. Em outra, nos tornamos pais. É nossa vez de cuidar de quem cuidou de nós.

Walcyr Carrasco


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Uma filha se queixou a seu pai sobre sua vida e de como as coisas estavam
tão difíceis para ela.
Ela já não sabia mais o que fazer e queria desistir.
Estava cansada de lutar e combater.
Parecia que assim que um problema estava resolvido um outro surgia.
Seu pai, um chef, levou-a até a cozinha dele.
Encheu três panelas com água e colocou cada uma delas em fogo alto.
Em uma ele colocou cenouras, em outra colocou ovos e na última,
pó de café.
Deixou que tudo fervesse, sem dizer uma palavra.
A filha deu um suspiro e esperou impacientemente, imaginando o que ele
estaria fazendo.
Cerca de vinte minutos depois, ele apagou as bocas de gás.
Pescou as cenouras e as colocou em uma tigela.
Retirou os ovos e os colocou em uma tigela.
Então pegou o café com uma concha e o colocou em uma tigela.
Virando-se para ela, perguntou:
- "Querida, o que você está vendo?"
- "Cenouras, ovos e café," ela respondeu.
Ele a trouxe para mais perto e pediu-lhe para experimentar as cenouras.
Ela obedeceu e notou que as cenouras estavam macias.
Ele, então, pediu-lhe que pegasse um ovo e o quebrasse.
Ela obedeceu e depois de retirar a casca verificou que o ovo endurecera com
a fervura.
Finalmente, ele lhe pediu que tomasse um gole do café.
Ela sorriu ao provar seu aroma delicioso.
- "O que isto significa, pai?"
Ele explicou que cada um deles havia enfrentado a mesma adversidade: a água
fervendo.
Mas que cada um reagira de maneira diferente.
A cenoura entrara forte, firme e inflexível, mas depois de ter sido
submetida à água fervendo, ela amolecera e se tornara frágil.
Os ovos eram frágeis, sua casca fina havia protegido o líquido interior, mas
depois de terem sido fervidos na água, seu interior se tornara mais rijo.
O pó de café, contudo, era incomparável; depois que fora colocado na água
fervente, ele havia mudado a água.
Ele perguntou à filha:
- "Qual deles é você, minha querida?"
Quando a adversidade bate à sua porta, como você responde?
Você é como a cenoura que parece forte, mas com a dor e a adversidade você
murcha, torna-se frágil e perde sua força?
Ou será você como o ovo, que começa com um coração maleável mas que depois
de alguma perda ou decepção se torna mais duro, apesar de a casca parecer a
mesma?
Ou será que você é como o pó de café, capaz de transformar a adversidade em
algo melhor ainda do que ele próprio?
Somos nós os responsáveis pelas próprias decisões.
Cabe a nós, somente a nós - decidir se a suposta crise irá ou não afetar
nosso rendimento profissional, nossos relacionamentos pessoais, nossa vida  enfim.
Ao ouvir outras pessoas reclamando da situação, ofereça uma palavra positiva.
Mas você precisa acreditar nisso.
Confiar que você tem capacidade e tenacidade suficientes para superar mais
este desafio.
Espero que, nestas semanas que se seguem, quando lhe convidarem para tomar
um café, você possa repassar essa história.
Uma vida não tem importância se não for capaz de impactar positivamente
outras vidas.

Autor Desconhecido




terça-feira, 25 de outubro de 2011

Casa arrumada

Casa arrumada é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário
de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas. Não, eu prefiro viver numa casa onde eu
bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida.
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e
os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas,
que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e
vela de aniversário, tudo junto.
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos.
Netos, pros vizinhos. E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados
por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias.
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela.
E reconhecer nela o seu lugar.

Carlos Drummond de Andrade