terça-feira, 25 de agosto de 2009

Simplicidade

Tudo o que é belo tende a ser simples. Afirmação generalizante? Não sei.
O que sei é que a beleza anda de braços dados com a simplicidade.
Basta observar a lógica silenciosa que prevalece nos jardins.
Vida que se ocupa de ser só o que é.
Não há conflito nas bromélias, não há angústia nas rosas, nem ansiedades nos jasmins.
Cumprem o destino de florirem ao seu tempo e de se despedirem do viço quando é chegada a hora. São simples.
Não querem outra coisa, senão a necessidade de cada instante.
Não há desperdício de forças, não há dispersão de energias.
Tudo concorre para a realização do instante.
Acolhem a chuva que chega e dela extraem o essencial.
Recebem o sol e o vento, e morrem ao seu tempo.
Simplicidade é um conceito que nos remete ao estado mais puro da realidade.
A semente é simples porque não se perde na tentativa de ser outra coisa.
É o que é. Não desperdiça seu tempo querendo ser flor antes da hora.
Cumpre o ritual de existir, compreendendo-se em cada etapa.
Já dizia o poeta: "Simplicidade é querer uma coisa só". Eu concordo com ele.
O muito querer nos deixa complexos demais.
Queremos muito ao mesmo tempo, e então nos perdemos no emaranhado dos desejos.
Há o risco de que não fiquemos com nada, de que percamos tudo.
Aquele que muito quer corre o risco de nada ter, porque o empenho e o cuidado é que faz a realidade permanecer. O simples anda leve.
Carrega menos bagagem quando viaja, e por isso reserva suas energias para apreciar a paisagem.
O que viaja pesado corre o risco de gastar suas energias no transporte das malas.
Fica preso, não pode andar pelo aeroporto, fica privado de atravessar a rua e se transforma num constante vigilante do que trouxe.
A simplicidade é uma forma de leveza. Nas relações humanas ela faz a diferença.
O que cultiva a simplicidade tem a facilidade de tornar leve o ambiente em que vive.
Não cria confusão por pouca coisa; não coloca sua atenção no que é acidental, mas prende os olhos naquilo que verdadeiramente vale à pena.
Pessoas simples são aquelas que se encantam com as coisas menores.
Sabem sorrir diante de presentes simbólicos e sem muito valor material.
A simplicidade lhe capacita para perceber que nem tudo precisa ter utilidade.
E por isso é fácil presentear o simples. Dar presentes aos complicados é um desafio.
Não sabemos o que eles gostam, porque só na simplicidade é possível conhecer alguém.
Só depois que as máscaras caem pelo chão e que os papéis são abandonados a gente tem a possibilidade de descobrir o outro na sua verdade.
Eu gostaria de me livrar de meus pesos.
Queria ser mais leve, mais simples. Querer uma coisa só de cada vez.
Abandonar os inúmeros projetos futuros que me cegam para a necessidade do momento. Projetos futuros valem à pena, desde que sejam simples, concretos e aplicáveis.
Não gostaria que a morte me surpreendesse sem que eu tivesse alcançado a simplicidade.
Até para morrer os simples têm mais facilidade.
Sentem que chegou a hora, se entregam ao último suspiro e se vão.
Tenho uma intuição de que quando eu simplificar a minha vida, a felicidade chegará em minha casa, quando eu menos esperar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ser feliz não é pecado

Felicidade é ter noção da precariedade da vida, é estar consciente de que nada é fácil, é não se exigir de forma desumana e, apesar (ou por causa) disso tudo, conseguir ter um prazer quase indecente em estar vivo.
A felicidade é desprezada por muita gente.
A pessoa feliz sofre o preconceito de parecer uma pessoa vazia, sem conteúdo.
No entanto, algo ela tem, senão não incomodaria tanto.
Será que é porque ela nos confronta com nossa própria miséria existencial?
É irritante ver alguém naturalmente linda, rica, simpática, inteligente, culta, talentosa, apaixonada e, ainda por cima, magra!
Essa ninfa nunca ouviu falar em insônia, depressão, dívidas, mousse de chocolate?
Os felizes ainda estão associados ao padrão "comercial de margarina", portanto, costumam ser idealizados - e desacreditados.
É como se fossem marcianos, só que não são verdes.
Por isso, damos mais crédito aos angustiados, aos irônicos, aos pessimistas.
Por não aparentarem possuir vínculo com essa tal felicidade, dão a entender que têm uma vida muito mais profunda.
Você é feliz? Não espalhe, já que tanta gente se sente agredida com isso.
Mas também não se culpe, porque felicidade é coisa bem diferente do que ser linda, rica, simpática e aquela coisa toda.
Felicidade, se eu não estiver muito enganada, é ter noção da precariedade da vida, é estar consciente de que nada é fácil, é tirar algum proveito do sofrimento, é não se exigir de forma desumana e, apesar (ou por causa) disso tudo, conseguir ter um prazer quase indecente em estar vivo.
O psicanalista Contardo Calligaris certa vez disse uma frase que sublinhei: "Ser feliz não é tão importante, mais vale ter uma vida interessante".
Creio que ele estava rejeitando justamente esta busca pelo kit felicidade, composto de meia dúzia de realizações convencionais.
Ter uma vida interessante é outra coisa: é cair e levantar, se movimentar, relacionar-se com as pessoas, não ter medo de mudanças, encarar o erro como um caminho para encontrar novas soluções, ter a cara-de-pau de se testar em outros papéis - e humildade para abandoná-los se não der certo.
Uma vida interessante é outro tipo de vida feliz: a que passou ao largo dos contos-de-fada. É o que faz você ter uma biografia com mais de 10 páginas.
Se você acredita que ser feliz compromete seu currículo de intelectual engajado, troque por outro termo, mas não cuspa neste prato.
Embriague-se de satisfação íntima e justifique-se dizendo que é um louco, apenas isso.
Como você sabe, os loucos sempre encontram as portas do céu abertas.
Rita Lee, que já passou por poucas e boas, mas nunca se queixou de não ter uma vida interessante, anos atrás musicou com Arnaldo Batista estes versos:
"Se eles são bonitos, sou Alain Delon/ se eles são famosos/ sou Napoleão/se eles têm três carros/ eu posso voar". Também faço da Balada do Louco meu hino, que assim encerra: "Mais louco é quem me diz que não é feliz".
Eu sou feliz!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O poder da palavra imperativa.

Imperar é atributo que sugere poder.
O imperador comanda o império, rege com autoridade.
Imperativo é tudo o que ordena, o que governa.
Na linguagem temos os verbos imperativos.
São aqueles que dão ordens.
Sempre que os leio escuto gritos, vozes querendo me convencer do conteúdo que sugerem.
O verbo é a casa da ação.
Dele se desdobram movimentos.
Verbos mobilizam os sujeitos.
É a regra da gramática, mas é também a regra da vida.
Penso nas palavras que me ordenam.
Quero compreender a razão de gritarem tanto sobre os meus ouvidos e de me moverem para a vida que vivo.
A interpretação que faço do mundo passa pelos verbos que imperam sobre mim.
Por isso, a qualidade da vida depende dos verbos que imperam sobre ela.
Gosto de conjugar o verbo “amar” no imperativo – “Ame!” Não há necessidade de complementos.
Ame este ou aquele.
Ame agora ou depois.
Não há justificativas.
É só amar.
É só seguir a ordem que o verbo sugere.
“Ame!” Repito.
Não escuto gritos, mas uma voz mansa com poder de conselho.
Voz que reconheço ser a de Jesus a me conduzir por um caminho seguro que me fará viver melhor.
“Ame!” Ele repete!
“Ame!” Ele aconselha.
Tenho aprendido que o amor é o melhor jeito de responder às questões do mundo.
Experimento isso na carne.
Eu fico melhor cada vez que amo.
Digo isso como homem religioso que sou.
A religião é a casa do amor, assim como o verbo é a casa da ação.
Se não é, não é religião.
É esconderijo onde acomodamos nossa hipocrisia.
É lugar onde justificamos nossas intolerâncias.
É guerra fria que fazemos em nome de Deus.
Eu ainda acredito que o amor é a religião que o mundo precisa.
Jesus ensinou isso.
Morreu por crer assim.
Elevou à potência máxima o imperativo do amor, e não fugiu das consequências.
Tenho medo quando nos especializamos em qualificar as pessoas como boas ou ruins, em nome da religião.
Tenho medo de deixar que outros verbos imperem sobre minha vida.
Verbos que excluem, abandonam, jogam fora e que condenam a partir de aparências.....
É nesta hora que eu me recordo do imperativo de meu Mestre - “Ame!” E só assim eu descanso.
Eu sei que você também costuma se perder em tantas realidades desta vida.
Eu sei que o seguimento de Jesus costuma nos colocar em encruzilhadas, porque não há seguimento sem escolhas.
É natural que nasçam dúvidas e a gente se pergunte – E agora?
Como ser de Deus no meio de tantas realidades contrárias?
Como manter o olhar fixo no que cremos sem que a gente precise cometer o absurdo de desprezar os que creem diferente de nós?
Nem sempre conseguimos acertar, fazer da melhor forma.
Quer um conselho? Ame!

Pe. Fábio de Melo

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Parabéns Papai!!!


Feliz Aniversário Papai !!!
Hoje é um dia especial, não só porque é o seu aniversário,
mas principalmente porque você merece essa homenagem papai.
Sabe, pensando bem, eu deveria fazer um levantamento de
todas as noites que você não dormiu, preocupado com a minha saúde,
deveria levantar também, todos os dias que você trabalhou
incessantemente para me dar uma vida de qualidade e com educação.
Deveria também somar todos os dias em que você se privou do seu
próprio conforto, só para me embalar.
Na verdade, eu deveria passar o resto da minha vida homenageando você,
mas eu sei, eu sei que você não aceitaria,
por isso estou mandando essa mensagem para que você saiba o quanto eu te amo e te agradeço. Obrigada, papai, por ser o meu pai, obrigada meu Deus por ter nos enviado esse ser maravilho para nos proteger. Agradeço a Deus por você existir.
É maravilhoso poder comemorar com você mais um ano de vida.
Espero que Deus lhe dê muita saúde e muita paz, para que você continue enchendo o nosso lar de alegria.
Existem pessoas que possuem um dom de nos presentear simplesmente com sua presença e eu posso dizer que o meu pai tem esse dom.
Pai, quero aproveitar essa oportunidade para agradecer tudo o que você me ensinou.
Guardarei para sempre em minha memória, seu rosto cansado, sempre me dando atenção e conforto.
Parabéns papai, por ter chegado até aqui com tanta dignidade e carater.
Obrigada por você existir e parabéns pelo seu aniversário.

domingo, 16 de agosto de 2009

Como construir um templo de paz - Eunice Ferrari

Quando sabemos e aceitamos quem somos, entramos lentamente em uma nova sintonia de amor e de paz.
É inegável que estamos todos imersos em um profundo processo evolutivo, não porque sofremos mais que em outros tempos, mas porque sofremos conectados à necessidade e compreensão do próprio sofrimento.
Hoje, a maioria de nós está recebendo um chamado importante nesse sentido e quanto mais adiarmos a abertura para o novo, mais sofreremos.
Por bem ou por mal somos obrigados a rever conceitos e necessidades, atravessar processos de dor e crescimento em direção à expansão de nossas consciências.
Se pararmos para fazer um balanço do que éramos há apenas dez anos, poderemos entender o que é esse tal "processo de crescimento e expansão de consciência".
Por meio de perdas, dúvidas, angústias, medos e tantos sentimentos que atormentam a todos, somos remetidos a lugares dentro de nós nunca antes investigados.
E dessa forma, cada vez mais conscientes de que nada mais funciona como há pouco tempo atrás, somos obrigados a buscar soluções diferentes das usualmente utilizadas.
Hoje, meditamos e fazemos terapias para combater nossos medos, construímos templos de orações em nossas casas, praticamos ioga, lemos livros de autoajuda e consultamos oráculos de todos os tipos.
Apropriamos-nos da responsabilidade por nossas escolhas, retiramos a culpa impingida a Deus por nossas dificuldades e começamos a deixar para trás os papéis de vítimas que a Igreja nos ensinou a representar.
Ou seja, estamos aprendendo a enfrentar nossos medos, a nos independer do jogo do falso poder e assumir definitivamente uma nova postura diante da vida.
Responsabilidade é a palavra chave.
Quem não puder "responder" às suas próprias atitudes, certamente não conseguirá cumprir seu próprio destino.
Sempre lembrando que "destino é transformar-se naquilo que devemos ser".
A meta principal, na verdade, é retomar o contato com a própria alma e todos esses artifícios ou meios que utilizamos devem ter como meta esse encontro.
Nada, além disso, que é uma tarefa que pode levar muitas vidas.
Não devemos nos deixar levar pela ansiedade, pois ela é inimiga do tempo.
Todo processo de crescimento deve carregar em si o gérmen da consciência, pois sem ele, nenhum crescimento acontecerá.
A busca deve ser interna e não externa.
Deuses internos que nos conectarão a energias de Seres mais evoluídos e conscientes que nós. Está mais do que na hora de deixarmos de lado nossas queixas, dependências, necessidade da falta, vitimização, dúvidas e ausência de fé e dar um passo adiante em nosso processo evolutivo. Já conhecemos o caminho, agora devemos nos disciplinar para segui-lo.
Tudo nos foi dado e estamos com a faca e o queijo na mão.
Lembre-se que, quando um ser humano evolui, ele carrega consigo toda a humanidade!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A vida não pode ser fácil - Danuza Leão

Quem é difícil não suporta a companhia de gente leve, e encontra sempre um tão difícil quanto ele para conviver.
POR QUE será que para alguns a vida é tão fácil, tão leve, e para outros tudo é problema, complicação?
Existem pessoas que estão gripadas, cheias de febre, e se levantam da cama, mesmo se sentindo péssimas, para ir ao dentista.
Qual seria o problema de desmarcar? Nenhum.
Mas elas são exigentes com elas mesmas e, se deram a palavra -mesmo sendo uma simples ida ao dentista-, não podem falhar.
Essas pessoas, se são duras com elas mesmas, são também duras com os outros.
Ai de você telefonar às 19 horas para desmarcar aquele jantar combinado na véspera.
Jantar que não era nada, apenas um encontro de dois bons amigos que se falam quase todo dia no telefone; por mais que tenha havido um bom motivo, um complicado acha que isso não se faz.
Ele cria expectativas -para o bem e para o mal- que não podem ser frustradas, sob pena de cair em profundo sofrimento.
Se um desses complicados programar uma viagem maravilhosa para as ilhas gregas, quando voltar ele vai falar apenas de como é difícil viajar nos dias de hoje, dos aeroportos cheios, da bagagem que demorou a chegar na esteira, e vai se esquecer de contar as coisas maravilhosas que viu, até porque talvez ele não tenha visto nada, apenas olhado, o que não tem nada a ver.
Mesmo boas notícias que não estavam programadas contrariam os viciados em sofrer.
O imprevisto, mesmo -e sobretudo- em se tratando de coisas boas, transtorna certas pessoas; a vida para elas é difícil, dura.
Não se pode ser feliz porque o castigo vem depois.
Elas adiam qualquer prazer por nada, ou talvez para não terem prazer.
Quando veem alguém com pouco ou nenhum futuro pela frente, um empreguinho de nada, sem perspectivas, tomando uma cerveja e dando não uma, mas várias gargalhadas, elas se sentem quase ofendidas.
E sempre encontram uma outra pessoa para dizer o quanto aquele cara é irresponsável, que depois não se queixe e, sobretudo, que não venha pedir nada, já que vive pensando que a vida é fácil.
O lema deles é esse: "A vida não é fácil".
A visão de uma pessoa que acha que a vida pode ser fácil e leve faz mal aos difíceis. Só que a vida ser fácil ou difícil depende, e muito, de como se é.
Quem é difícil não suporta a companhia de gente leve, e encontra sempre um tão difícil quanto ele para conviver.
E o que é uma pessoa fácil?
É aquela que, se você passar na casa dela na hora do almoço e não tiver nada na geladeira, diz, alegremente, que não tem problema, que em cinco minutos resolve tudo, e pergunta o que você quer: se um pão fresquinho, com um presunto cortado na hora e um guaraná, ou se prefere uns ovos mexidos e uma cerveja.
Mas isso nunca vai acontecer: uma pessoa difícil nunca chega à casa do outro sem avisar, para que o outro nunca, jamais, faça isso com ele, que só de pensar nessa possibilidade já fica estressado; difícil lidar com pessoas difíceis.
Não há quem não tenha uma amigo difícil; eu tenho alguns, e você também deve ter, claro. E o mais inexplicável é que continuo gostando deles, me dando com eles, telefonando para eles, como provavelmente acontece com você.
Por que será?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O importante é não parar!!!

Na vida, às vezes, tudo ocorre muito devagar.
Mas é importante não parar.
Mesmo um pequeno avanço já é um progresso,e qualquer um pode fazer um pequeno progresso. Se você não conseguir fazer uma coisa grandiosa hoje, faça alguma coisa pequena.
Pequenos riachos acabam convertendo-se em grandes rios.
Continue andando e fazendo.
O que parecia fora de alcance esta manhã, vai parecerum pouco mais próximo, amanhã ao anoitecer, se você continuar movendo-se para frente.
A cada momento intenso e apaixonadoque você dedica a seu objetivo, um pouquinho mais você se aproxima dele.
Se você pára completamente é muito maisdifícil começar tudo de novo.
Então continue andando e fazendo.
Não desperdice a base que você já construiu.
Existe alguma coisa que você pode fazer.
Pode não ser muito, mas vai mantê-lo atento.
Vá rápido quando puder.
Vá devagar se for obrigado.
Seja lá o que for, continue.
Importante é não parar!